de chinelos

dia 4 de janeiro de um ano recém estreado, na rua outra vez, de chinelos e tudo está onde sempre esteve, nada parece realmente novo. aproxima-se o transporte, aquele autocarro que seguirá em agitado diálogo com as curvas e as rugas da estrada. balançar, agarrar, suster, prender, equilibrar, ajeitar, empurrar e encaixar até sair ou sentar, nesses termos se fará a viagem. a espera foi longa, é sempre demasiado longa, não combina com a brevidade dos percursos!
os chinelos calcorreiam as ruas, desenham estradas, demasiado frágeis, terrivelmente invisíveis, cobertas pela poeira do anoitecer de cada novo dia. desenho belo, eternamente efémero, em jeito de mapa, inconscientemente coletivo, como fixá-lo?
linha branca, pano-cru, tesoura, máquina de costura e um avental, amanhã levo isso tudo, em cima dos chinelos, lá para a minha pedra; vou mudar de negócio! vou alinhavar, remendar e bordar outras histórias.
delével ou indelevelmente o desenho se fará estrada! eu vou de chinelos.

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