qualquer lugar se faz mercado

Roupa crescida, roupa miúda, roupa para o luto, roupa de festa, roupa ousada, roupa tímida, roupa privada, ali no regaço das árvores, ali ao virar da esquina, na rua cruzada, na soleira da entrada, ali no largo renovado. Qualquer lugar se faz praça, lá se estende a montra e se acumulam as peças que hão-de vestir outros destinos.
Roupa cansada, talhada, urdida, confeccionada, embalada, transportada, vendida, transaccionada, utilizada, lavada, consumida até ser dispensada. Uma água e um ferro fazem milagres, de volta à estrada!
Fascínio imenso pela informalidade dos mercados, delineados pela tenacidade das mulheres em exercícios de apurada resistência, permanência em estado puro para onde o tempo não é convidado.
Uma peça de tecido, uma bacia de papaias, um cesto de bananas, um tabuleiro de doçuras, um tupperware de pastéis de milho, uma cadeira, tudo à sombra de um pano longo estendido. Assim se faz mercado, assim se viabilizam vidas em trocados.
à sombra de um calor que se faz humano, a espera segue paciente, é só mais um dia.

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