tempo de contemplar a destruição empenhada

de novo num lugar de passagem, estação efémera, entre caminhos desenho outras viagens.

contemplo a população local, rapidamente confirmo, são efetivamente resultado de uma seleção natural,

nos lugares assim, outrora dedicados à coisa pública, foram-se operando transformações horrendas, a obra criada pelas mãos de muitos, para ser e servir a todos, foi sendo tomada, adulterada, moldada em função de umbigos pequenos.

nos lugares assim, existe gente desocupada, que apaga com a sua gélida frieza qualquer centelha de entusiasmo!

gente tonta, perdida, que cumpre com rigor a imposição de uma narrativa bacoca, simplória e triste, dizem-se detentores de um espírito especial, sócios honorários de uma seita privada, onde impera a máxima “até que a morte por tédio nos separe”!

nos lugares assim, sou convidada a contemplar a destruição empenhada da obra, do serviço público, das causas comuns, sim, sempre suspeitei que tal destruição estaria em curso, é agora hora de confirmar! fitar os atores, encarar os ardilosos esquemas, implantados com força e suor apenas para evitar o ter de trabalhar!

nos lugares assim, feliz com o sucesso das suas não-empreitadas, a população local, a tal que é fruto da seleção natural, agarra nos chaveiros imensos e com orgulho fecha-se dentro das gavetas, esconde o que resta de si nas prateleiras! de novo vê assegurada a certeza de que gente dedicada à alegria criativa da vida ali não entra!

inscrição, cumpre inscrever nos lugares assim a passagem, assinalar que são possíveis outras viagens!

a falência da democracia tem obreiros, seres inertes, apáticos, tristes, mesquinhos, pequeninos, descontentes e hiper resignados, operam orientados pela angústia de se saberem aprisionados, é dura a pena! foram condenados a  viver ensimesmados!

caminhar, urge continuar a caminhar, pela alegria de desenhar a viagem!

 

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