um dia, essa suave tristeza dará lugar a uma esperança acesa, um dia, hoje não, talvez noutro dia!

um dia,
acredita essa espécie de gente empedernida
que sim, certamente um dia
um dia tudo será diferente,
um dia, será dia de cumprir as promessas
um dia as vinganças prometidas tomarão o seu lugar
entretanto, um, dois, três e muitos outros dias se fazem instalar
fica longe, demasiado longe para voltar
lá, onde essa gente das promessas deixou o seu amor próprio ficar

porque rasteja esta gente?
porque se movem em surdina?
porque se escondem na falta de luar?
porque fazem monte de forma ordeira?
porque temem que o seu reflexo se inscreva em algum lugar?
o que temem estas almas perdidas?
em que projeto falhado de vida se deixaram abandonar?

no buraco
na depressão
na imensa solidão
atolados
submersos
sem capacidade de sentir
inibidos de amar
sobra-lhes apenas o corpo
que não sabem onde arrumar.

gente perdida, desvairada, entre o rebanho e a encruzilhada,
mais fácil lhes parece o seguir, do que o ter de decidir por onde ir.
um dia, certamente virá o dia em que essa gente de alma vazia
entenderá que o tal dia não vai chegar, ou talvez até já tenha passado sem se ter feito anunciar!
esse sim, teria sido o dia!

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