Ilha – residência artística em trânsito

Projeto artístico que andou de lugar em lugar e se estendeu em terra plana, árida, talhada pela quentura do sol.
Cruzando lugares, combinando geografias, apreciando o sol e o calor ardente que animou e fez bulir, devagarinho, os pés!
Navegando entre grafias e tratados, sob sol tórrido em chão escaldante, fez-se o caminho para chegar a ipuã.
Ipuã, lugar de ouro, perto de Marwan, habitado por uma quietude que se entranha e nos entorpece!
O corpo, ainda que adormentado, celebra ver-se tomado por um calor deliciosamente arrebatador!
Em ipuã, é certo, quentura combina com planura!
A paisagem, tanta e amarela, aparenta estar quieta, ilude o observador mais desprevenido, exortando os seus sentimentos mais bucólicos mas, basta que nos demoremos um pouco mais, para entendermos que o tamanho de tal ilusão é apenas proporcional à pressa  do viajante.
A paisagem, tanta e amarela, é retrato cru de enredos, tramas, novelas, narrativas, estórias, intrigas, projetos de glória abruptamente interrompidos, mas é sua sina sobreviver, persistir, resistir, ora penteada de oliveiras, ora remexida pela fome cega de animais à procura de pasto, não tem descanso! Pode estar despida de gente, mas jamais perde a fortuna, a irrequietude, não deixa fugir o seu estranho encanto!
Num lugar assim, gosto de estar, a minha inquietude rebelde sente-se em boa companhia, aprecio o abraço robusto, valente e franco que irrompe da terra e me envolve! Ah doce e honesta brisa carregada de poeira, que acaricia e se inscreve indelevelmente na pele!
Em Ipuã há tempo para apreciar o líquido dourado, seiva preciosa, ver o jeito delicado como desliza, ao deitar-se devagar numa fatia de pão alentejano.

 

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