{"id":1044,"date":"2018-06-08T22:52:54","date_gmt":"2018-06-08T22:52:54","guid":{"rendered":"http:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/?p=1044"},"modified":"2018-06-08T23:03:34","modified_gmt":"2018-06-08T23:03:34","slug":"notacoes-ilustradas-dapres-para-uma-sociologia-das-ausencias-e-uma-sociologia-das-emergencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/2018\/06\/08\/notacoes-ilustradas-dapres-para-uma-sociologia-das-ausencias-e-uma-sociologia-das-emergencias\/","title":{"rendered":"Anota\u00e7\u00f5es ilustradas, d&#8217;apr\u00e8s  &#8220;Para uma sociologia das aus\u00eancias e uma sociologia das emerg\u00eancias&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;A vers\u00e3o abreviada do mundo foi tornada poss\u00edvel por uma concep\u00e7\u00e3o do tempo presente que o reduz a um instante fugaz entre o que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o que ainda n\u00e3o \u00e9. Com isto, o que \u00e9 considerado contempor\u00e2neo \u00e9 uma parte extremamente reduzida do simult\u00e2neo. O olhar que v\u00ea uma pessoa cultivar a terra com uma enxada n\u00e3o consegue ver nela sen\u00e3o o campon\u00eas pr\u00e9-moderno.<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nA contrac\u00e7\u00e3o do presente esconde, assim, a maior parte da riqueza inesgot\u00e1vel das experi\u00eancias sociais no mundo.<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nO que est\u00e1 em causa \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o do mundo atrav\u00e9s da amplia\u00e7\u00e3o do presente. S\u00f3 atrav\u00e9s de um novo espa\u00e7o-tempo ser\u00e1 poss\u00edvel identificar e valorizar a riqueza inesgot\u00e1vel do mundo e do presente. Simplesmente, esse novo espa\u00e7o-tempo pressup\u00f5e uma outra raz\u00e3o. At\u00e9 agora, a aspira\u00e7\u00e3o da dilata\u00e7\u00e3o do presente tem sido formulada apenas pelos criadores liter\u00e1rios. Um exemplo entre muitos \u00e9 a par\u00e1bola de Franz Kafka sobre a precariedade do homem moderno comprimido entre dois fortes advers\u00e1rios, o passado e o futuro.<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nO objetivo da sociologia das aus\u00eancias \u00e9 transformar objetos imposs\u00edveis em poss\u00edveis e com base neles transformar as aus\u00eancias em presen\u00e7as. F\u00e1-lo centrando-se nos fragmentos da experi\u00eancia social n\u00e3o socializados pela totalidade meton\u00edmica<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nA segunda l\u00f3gica assenta na <strong>monocultura do tempo linear<\/strong>, a ideia de que a hist\u00f3ria tem sentido e direc\u00e7\u00e3o \u00fanicos e conhecidos. Esse sentido e essa direc\u00e7\u00e3o t\u00eam sido formulados de diversas formas nos \u00faltimos duzentos anos: progresso, revolu\u00e7\u00e3o, moderniza\u00e7\u00e3o, desenvolvimento, crescimento, globaliza\u00e7\u00e3o. Comum a todas estas formula\u00e7\u00f5es \u00e9 a ideia de que o tempo \u00e9 linear e que na frente do tempo seguem os pa\u00edses centrais do sistema mundial e, com eles, os conhecimentos, as institui\u00e7\u00f5es e as formas de sociabilidade que neles dominam. Esta l\u00f3gica produz n\u00e3o-exist\u00eancia declarando tudo o que, segundo a norma temporal, \u00e9 assim\u00e9trico em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 declarado avan\u00e7ado. \u00e9 nos termos desta l\u00f3gica que a modernidade ocidental produz a n\u00e3o-contemporaneidade do contempor\u00e2neo, a ideia de que a simultaneidade esconde as assimetrias dos tempos hist\u00f3ricos que nela convergem.&#8221;<\/p>\n<p>Boaventura Sousa Santos<br \/>\nRevista Cr\u00edtica de Ci\u00eancias Sociais, 63, out 2002 237-280<\/p>\n<p>Anota\u00e7\u00f5es ilustradas, d&#8217;apr\u00e8s<br \/>\n<strong>&#8220;Para uma sociologia das aus\u00eancias<\/strong><br \/>\n<strong>e uma sociologia das emerg\u00eancias&#8221;<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_1050\" aria-describedby=\"caption-attachment-1050\" style=\"width: 2117px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1050 size-full\" src=\"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Captura-de-ecr\u00e3-2018-06-08-\u00e0s-23.44.19.png\" alt=\"\" width=\"2117\" height=\"963\" srcset=\"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Captura-de-ecr\u00e3-2018-06-08-\u00e0s-23.44.19.png 2117w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Captura-de-ecr\u00e3-2018-06-08-\u00e0s-23.44.19-300x136.png 300w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Captura-de-ecr\u00e3-2018-06-08-\u00e0s-23.44.19-768x349.png 768w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Captura-de-ecr\u00e3-2018-06-08-\u00e0s-23.44.19-1024x466.png 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 2117px) 100vw, 2117px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1050\" class=\"wp-caption-text\">RODAR \/ Norte_Sul [montes ao Douro, Picos e Serra Malagueta] Ant\u00f3nia Marques, 2018<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A vers\u00e3o abreviada do mundo foi tornada poss\u00edvel por uma concep\u00e7\u00e3o do tempo presente que o reduz a um instante fugaz entre o que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o que ainda n\u00e3o \u00e9. 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