{"id":157,"date":"2016-08-26T21:25:04","date_gmt":"2016-08-26T21:25:04","guid":{"rendered":"http:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/?p=157"},"modified":"2023-07-24T15:16:28","modified_gmt":"2023-07-24T15:16:28","slug":"o-portugues-ja-nao-me-chega-preciso-aprender-a-crioulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/2016\/08\/26\/o-portugues-ja-nao-me-chega-preciso-aprender-a-crioulo\/","title":{"rendered":"o portugu\u00eas j\u00e1 n\u00e3o me chega, preciso aprender crioulo"},"content":{"rendered":"<div class=\"_39k5 _5s6c\">\n<div>\n<div class=\"_2cuy _3dgx _2vxa\">encontros, achados, deslumbrados,<br \/>\nlugares apressados, habitados at\u00e9 \u00e0s ra\u00edzes<br \/>\nexuberantes, lotados de vida, consumida<br \/>\npor aus\u00eancias intermin\u00e1veis, saudades indel\u00e9veis,<br \/>\nfirmam a inscri\u00e7\u00e3o, definem o gesto,<br \/>\numa, outra, qualquer priva\u00e7\u00e3o se ocupar\u00e1 do resto.<br \/>\nnos rostos a emotividade contida,no corpo a sensibilidade adiada,<\/p>\n<p><em>estou aqui, n\u00e3o me v\u00eas? <\/em><\/p>\n<p>c\u00e9lulas individuais cerradas evitam,<br \/>\natrasam a eclos\u00e3o, inibem poderosos e luminosos coletivos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"_2cuy _3dgx _2vxa\"><em>estou aqui, quero estar contigo!<\/em><\/p>\n<p>pessoas, muitas pessoas, com ar de gente<br \/>\namparados pelo conforto de um abra\u00e7o quente<br \/>\nalargado, imenso, forte, ruidoso<br \/>\naleatoriamente desenhado pela proximidade dos encontros,<br \/>\niluminado pelo desprendimento, garantia suprema da liberdade dos destinos<\/p>\n<p><em>estamos aqui, seguimos livremente juntos e sempre que poss\u00edvel unidos!<\/em><\/p>\n<p>as capitais agitadas<br \/>\nos interiores fortalecidos<br \/>\nentre a urbanidade e a ruralidade<br \/>\nos caminhos fazem-se serpenteando as curvas humanas da paisagem,<br \/>\num monte, um outro logo a seguir<br \/>\nsuas silhuetas coordenadas geogr\u00e1ficas repletas de simb\u00f3licos sentidos.<\/p>\n<p><em>andamos por a\u00ed, mergulhados na imensid\u00e3o humana da paisagem!<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o Domingos sabe a past\u00e9is de milho<br \/>\nem S\u00e3o Jorge colhem-se os frutos das chuvas generosas de Agosto.<br \/>\npassar\u00e1 em breve uma <span class=\"_5yi_\">hiace <\/span>para seguir viagem,<br \/>\na transbordar de gente, carregada de coisas gra\u00fadas,<br \/>\no <span class=\"_5yi_\">r\u00e1dio<\/span> sofisticado gritar\u00e1 persistentemente uma m\u00fasica agitada, desvairada<br \/>\nbuli\u00e7o doido, arriscado!<br \/>\n<em><span class=\"_5yi_\">deixa&#8217;m li<\/span><\/em>, de s\u00fabito algu\u00e9m entoar\u00e1 a senha que ativa a paragem<br \/>\npor breves e nervosos momentos se aliviar\u00e1 a estafa vertiginosa da viagem.<br \/>\nparagem em Picos, centro da vila, banana frita \u00e0 porta de casa<br \/>\n<span class=\"_5yi_\"><em>10 escudo<\/em>s<\/span>, diz a menina que foi de manh\u00e3 \u00e0 escola.<br \/>\ntrilhos cerrados, arriscados, mil vezes calcorreados<br \/>\na paisagem faz-se humana, homens e mulheres, muitos jovens e ainda mais meninos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"_2cuy _3dgx _2vxa\"><em>estados agudos de imperman\u00eancia cr\u00f3nica, seguimos viagem!<\/em><\/p>\n<p>em tr\u00e2nsito, com as emo\u00e7\u00f5es na bagagem,<br \/>\nrenovam-se os afectos, estimulam-se outras vontades.<br \/>\na viagem segue deslumbrada pelos enredos estampados nos rostos,<br \/>\nhist\u00f3rias de rupturas emotivas camufladas<br \/>\npela tenacidade com que se enfrentam os dilemas<br \/>\nn\u00e3o h\u00e1 tempo para fazer das rupturas problemas.<br \/>\nliga\u00e7\u00f5es afetivas preciosas, elos essenciais, pilares discretos<br \/>\nafecto n\u00e3o combina com dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p><em>mil outras presen\u00e7as apenas refor\u00e7am a saudade, como remendar as aus\u00eancias? <\/em><\/p>\n<p>as cores que habitam a paisagem sucedem-se em tonalidades tempor\u00e1rias,<br \/>\no desenho dos lugares \u00e9 feito a l\u00e1pis, eternos e singelos esbo\u00e7os que tardam em conhecer as vers\u00f5es a tinta<br \/>\ninscri\u00e7\u00e3o, cumpre arriscar sem hesitar, inscrever, marcar, habitar sem prazo para abalar!<br \/>\nas paisagens que habitamos s\u00e3o eternos lugares devolutos, onde se albergam os sonhos e os mapas de \u00edntimas viagens.<\/p>\n<p><em>tudo se suporta porque se acredita estar de passagem!<\/em><\/p>\n<p>sala de embarque a c\u00e9u aberto, encontra-se no desejo eterno de partida o jeito poss\u00edvel de coabitar com a saudade (de todos os momentos ainda por viver)<br \/>\nterr\u00edveis imperman\u00eancias geogr\u00e1ficas! perdemos todos, quando protejamos <span class=\"_5yi_\">ser feliz<\/span> em lugares onde n\u00e3o estamos, na companhia de pessoas que j\u00e1 n\u00e3o conhecemos!<br \/>\napenas a sensibilidade nos salva em tempos de tr\u00e1gica instabilidade!<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>encontros, achados, deslumbrados, lugares apressados, habitados at\u00e9 \u00e0s ra\u00edzes exuberantes, lotados de vida, consumida por aus\u00eancias intermin\u00e1veis, saudades indel\u00e9veis, firmam a inscri\u00e7\u00e3o, definem o gesto, uma, outra, qualquer priva\u00e7\u00e3o se ocupar\u00e1 do resto. nos rostos a emotividade contida,no corpo a sensibilidade adiada, estou aqui, n\u00e3o me v\u00eas? 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