{"id":3246,"date":"2022-05-24T13:28:29","date_gmt":"2022-05-24T13:28:29","guid":{"rendered":"http:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/?p=3246"},"modified":"2022-05-27T11:08:23","modified_gmt":"2022-05-27T11:08:23","slug":"governancas-absolutas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/2022\/05\/24\/governancas-absolutas\/","title":{"rendered":"Governan\u00e7as Abusivas"},"content":{"rendered":"\n<p><br>O abusivo desempenho das elites privilegiadas, que retiram da pol\u00edtica e da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica o <em>sustento das suas fam\u00edlias<\/em>, em nada tem dignificado os des\u00edgnios da representatividade democr\u00e1tica.<br><br>Bem pelo contr\u00e1rio, pois, atrav\u00e9s da instrumentaliza\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de expedientes manhosos, essas elites decadentes encontram no descarado tr\u00e1fico de influ\u00eancias e no nepotismo prim\u00e1rio, formas de eternizarem os apelidos familiares na titularidade dos cargos pol\u00edticos. O recurso a essas pr\u00e1ticas indecentes que, h\u00e1 d\u00e9cadas, sucede sem pudor, tem operado no sentido de descredibilizar a pol\u00edtica e fragilizar a integridade da democracia.&nbsp;<br> <br>No decurso das governan\u00e7as de Ant\u00f3nio Costa, o uso-farto e o abuso-sem escr\u00fapulos, <a href=\"https:\/\/alexandreafonso.me\/2019\/04\/06\/um-mapa-das-relacoes-familiares-no-governo-de-antonio-costa\/\">dessas pr\u00e1ticas indecorosas<\/a>, ter-se-\u00e1 agravado, desencadeando mais um desgra\u00e7ado ciclo de mis\u00e9ria moral que, em tudo, tem favorecido a supremacia das elites privilegiadas!<br> <br>Efectivamente, a malograda actua\u00e7\u00e3o do primeiro ministro, para al\u00e9m de confirmar esse lastim\u00e1vel favorecimento, tem traduzido, tamb\u00e9m, a sua total indisponibilidade para respeitar o in\u00e9dito <a href=\"https:\/\/www.pcp.pt\/sobre-posicao-conjunta-do-ps-do-pcp-sobre-solucao-politica\">apoio parlamentar que, durante seis anos<\/a>, viabilizou as suas legislaturas. Ironicamente, esse quadro de excepcionalidade pol\u00edtica, gerado em circunst\u00e2ncias especiais para acudir o Estado de Emerg\u00eancia do pa\u00eds, acabou por fazer emergir as pr\u00e1ticas abusivas, que sustentam o elitizado Estado, liderado por Ant\u00f3nio Costa!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O compromisso parlamentar, que lamentavelmente n\u00e3o serviu para acudir o pa\u00eds, rapidamente se converteu em (mais uma) indecorosa oportunidade, para assegurar os abusos das elites privilegiadas. Desgra\u00e7adamente, o excepcional quadro pol\u00edtico, ter\u00e1 servido, t\u00e3o s\u00f3, para agravar a degrada\u00e7\u00e3o, que caracteriza a a\u00e7\u00e3o dos governos elitizados. Por\u00e9m, reza a hist\u00f3ria, da vida democr\u00e1tica da rep\u00fablica portuguesa, que por mais que essas governan\u00e7as falhem no apoio \u00e0 maioria dos cidad\u00e3os, as restritas minorias que beneficiam dos privil\u00e9gios, nunca falham no apoio \u00e0 elei\u00e7\u00e3o dos pol\u00edticos, que lhes s\u00e3o mais favor\u00e1veis (1). <\/p>\n\n\n\n<p>E, n\u00e3o ter\u00e3o falhado a Ant\u00f3nio Costa, de facto, at\u00e9 premiaram o seu desempenho, entregando-lhe uma governan\u00e7a absoluta! A actual legislatura goza, assim, de condi\u00e7\u00f5es ideais para dar continuidade \u00e0 cruel ofensiva, que tem vindo a arrasar os valores de abril e a desprezar a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Portuguesa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Infelizmente, esta desgra\u00e7ada opera\u00e7\u00e3o abusiva serve-se do abandono c\u00edvico e da mis\u00e9ria moral, para incrementar o caos, que bloqueia a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica!&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\" class=\"has-small-font-size\">Ant\u00f3nia Marques<br>maio 2022<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">(1) \u00c0 semelhan\u00e7a do que sucede com o grau de escolaridade, tamb\u00e9m o n\u00edvel de rendimento econ\u00f3mico \u00e9 um factor que diversos modelos te\u00f3ricos t\u00eam em conta no estudo da participa\u00e7\u00e3o eleitoral (Brady, Verba, e Schlozman 1995; Anderson e Beramendi 2008). Do ponto de vista da qualidade da democracia, esta \u00e9 uma avalia\u00e7\u00e3o particularmente importante: afinal, se cidad\u00e3os com rendimentos mais baixos participarem sistematicamente menos, as elei\u00e7\u00f5es podem conduzir a um aprofundamento das desigualdades, na medida em que os interesses dos eleitores com mais rendimen- tos tender\u00e3o a ser (ainda) mais privilegiados (Lijphart 1997). A revis\u00e3o sistem\u00e1tica da literatura conduzida por Kaat Smets e Carolien van Ham (2013) revela que cerca de metade dos estudos que avaliam o impacto desta vari\u00e1vel na participa\u00e7\u00e3o eleitoral concluem que existe uma associa\u00e7\u00e3o estatisticamente significativa entre dispor de rendimentos mais elevados e exercer o direito de votar.\u201d ( <em>Absten\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o eleitoral em Portugal: diagn\u00f3stico e hip\u00f3teses de reforma, <\/em>Jo\u00e3o Cancela e Marta Vicente, 2018<em>)<\/em><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O abusivo desempenho das elites privilegiadas, que retiram da pol\u00edtica e da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica o sustento das suas fam\u00edlias, em nada tem dignificado os des\u00edgnios da representatividade democr\u00e1tica. 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