{"id":3390,"date":"2022-09-26T15:39:38","date_gmt":"2022-09-26T15:39:38","guid":{"rendered":"http:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/?p=3390"},"modified":"2022-09-26T16:00:25","modified_gmt":"2022-09-26T16:00:25","slug":"as-patologias-do-patrimonio-cabo-verdiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/2022\/09\/26\/as-patologias-do-patrimonio-cabo-verdiano\/","title":{"rendered":"As patologias do patrim\u00f3nio cabo-verdiano"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/opus-1024x569.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3393\"\/><figcaption>do patrim\u00f3nio da humanidade<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>H\u00e1 um imenso mar que separa as casas de cultura edificadas sobre o insular ch\u00e3o cabo-verdiano, por obra do acaso, ou talvez n\u00e3o, parte desse patrim\u00f3nio p\u00fablico encontra-se ligado por uma estranha argamassa, resultante da combina\u00e7\u00e3o de terra das ilhas com poeiras lus\u00f3fonas.<\/p>\n\n\n\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie de opus caementicium, ter-se-\u00e1 generalizado em 2017 &#8211; o ano da liberaliza\u00e7\u00e3o das paix\u00f5es de h\u00e1 s\u00e9culos! Resultado, as paredes do Forte de S\u00e3o Jos\u00e9 (Cidade Porto Ingl\u00eas), as funda\u00e7\u00f5es da Igreja Nossa Senhora do Ros\u00e1rio (Cidade Velha), os tectos do Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design (CNAD, mindelo) ficaram unidos pela assinatura de uns experts em contratos de fus\u00e3o, onde a iniciativa privada se mistura com a Ajuda P\u00fablica ao Desenvolvimento (APD).<\/p>\n\n\n\n<p>Lamentavelmente, o Patrim\u00f3nio Cultural Cabo-verdiano e suas patologias converteram-se em (mais uma) arena de neg\u00f3cios lus\u00f3fonos. Para tal, muito ter\u00e1 contribu\u00eddo a implementa\u00e7\u00e3o, em 2017, do Fundo Europeu para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (PIE) &#8211; o bra\u00e7o central do Plano de Investimento Externo Europeu. Esse novo plano visava, sobretudo, potenciar o envolvimento do sector privado no desenvolvimento socioecon\u00f3mico em \u00c1frica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os actores da Coopera\u00e7\u00e3o Portuguesa, cientes das oportunidades introduzidas pelo PIE, desdobraram-se em contactos, recuperaram amizades antigas e re-estabeleceram parcerias. Numa az\u00e1fama, \u00e0 bolina dos euros de Bruxelas rumaram, de novo, a \u00c1frica procurando sustentabilidade para os seus neg\u00f3cios.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, em 2017, sobre o insular ch\u00e3o cabo-verdiano, sucederam-se uma s\u00e9rie de eventos e encontros informais, no ventre dos quais se urdiram ajustes directos, pactos de amizade e castelos de areia. Entre sorrisos, abra\u00e7os e muito mel-de-cana, ter\u00e3o sido tra\u00e7adas as concess\u00f5es que, por tempo indeterminado e ao abrigo da famigerada coopera\u00e7\u00e3o, haveriam de explorar o patrim\u00f3nio cultural das ilhas, desde 2017, presidido por Hamilton Jair Fernandes.<\/p>\n\n\n\n<p>O normal corrupio de mestres em obras de coopera\u00e7\u00e3o e romeiros afectos a institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas portuguesas, viu-se subitamente acelerado. Os governantes cabo-verdianos, atarantados com tanta e t\u00e3o abnegada filantropia, n\u00e3o se deixaram entorpecer. Uns, assumindo fun\u00e7\u00f5es de cicerone, levaram a caravana filantr\u00f3pica a conhecer os encantos das ilhas, outros, no papel de mordomo, distribu\u00edram os grupos por celebra\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter privado. Por\u00e9m, os mais astutos mantiveram-se \u00e0 porta dos grandes investimentos p\u00fablicos e, trajando a indument\u00e1ria de concierge, atenderam aos pedidos privados dos agentes lus\u00f3fonos, ajudando a viabilizar avultados contratos de fus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, s\u00e3o de destacar as viagens da Eng. Ana Velosa, em representa\u00e7\u00e3o da Universidade de Aveiro (UA) e do Arq. Gabriel Andrade e Silva, em representa\u00e7\u00e3o da Direc\u00e7\u00e3o Regional de Cultura do Norte (DRCN), que tiveram lugar em novembro de 2018. Acolhidos e orientados por Jair Hamilton Fernandes, visitaram diversos lugares de relev\u00e2ncia patrimonial, tendo em vista a defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de coopera\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da reabilita\u00e7\u00e3o e restauro do patrim\u00f3nio cabo-verdiano.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma se ter\u00e1 formalizado a produ\u00e7\u00e3o do tal opus caementicium que, ainda hoje, liga os tectos e as paredes das casas de cultura crioulas \u00e0s funda\u00e7\u00f5es de certos neg\u00f3cios lus\u00f3fonos!<\/p>\n\n\n\n<p>Entre rebocos, chapiscos e interven\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas, a engenheira e o arquitecto ter\u00e3o achado nas patologias do patrim\u00f3nio das ilhas, inspira\u00e7\u00e3o para lan\u00e7arem, por iniciativa pr\u00f3pria, em 2019, as funda\u00e7\u00f5es da sua nova empresa &#8211; OpusCalsis &#8211; arquitectura, engenharia, consultoria em reabilita\u00e7\u00e3o, Lda.<\/p>\n\n\n\n<p>[ Ora, confesso que este desvio de argamassa me baralhou! ]<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo indica que, desde a data da sua cria\u00e7\u00e3o, a actividade da OpusCalsis em Cabo-Verde tem sido intensa e frequente. No entanto, s\u00f3 em junho de 2022 \u00e9 que foi referenciada publicamente da seguinte forma:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA requalifica\u00e7\u00e3o do CNAD tem contado com a participa\u00e7\u00e3o de diversos profissionais, especialistas nas mais diversas \u00e1reas. No \u00faltimo m\u00eas, recebemos a equipa de restauro, altamente qualificada, (da empresa) OpusCalsis.<\/p>\n\n\n\n<p>Conclu\u00eddo o trabalho, que surpreendeu, tamb\u00e9m, as pessoas envolvidas, refor\u00e7amos o convite para assistir ao \u201cPaleio\u201d(conversa aberta) que ir\u00e1 decorrer hoje no Centro Cultural do Mindelo, pelas 18h30, com os especialistas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(publicado na p\u00e1gina de facebook do CNAD, 8 junho 2022)<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, a conversa foi aberta e, embora n\u00e3o tenha sido muito esclarecedora, permitiu dar a ver que a dita equipa havia efectivamente restaurado, com folha de ouro, os tectos do CNAD. No entanto, ficaram por revelar as circunst\u00e2ncias em que a OpusCalsis se ter\u00e1 aproximado dos ditos tectos. Concurso p\u00fablico? Ajuste directo? Informal acordo de coopera\u00e7\u00e3o? Infelizmente, nada, para al\u00e9m da superf\u00edcie dos tectos, foi revelado.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, o recurso aos servi\u00e7os da OpusCalsis foi apresentado como uma confrangedora inevitabilidade, justificada pela total aus\u00eancia de profissionais cabo-verdianos, habilitados para executar com sapi\u00eancia a exigente tarefa de restauro, assim proferiu Irlando Ferreira, Director de CNAD. Lamentavelmente, o Director abordou esta tem\u00e1tica de forma bastante vaga e, para agravar a superficialidade do quadro, ter\u00e1 deixado por esclarecer a dimens\u00e3o geogr\u00e1fica da alegada aus\u00eancia de qualifica\u00e7\u00f5es. Pelo que, subsiste a d\u00favida &#8211; ser\u00e1 que a falta de compet\u00eancias tamb\u00e9m se verifica entre os in\u00fameros cabo-verdianos da extensa Di\u00e1spora?<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, se \u00e0 generalidade dos cabo-verdianos parecem faltar qualifica\u00e7\u00f5es para obras de restauro, \u00e0 equipa do CNAD parece n\u00e3o terem faltado dotes de adivinha\u00e7\u00e3o de contactos empresariais ocultos. Efectivamente, s\u00f3 no plano da ironia se compreende que seja mais f\u00e1cil comunicar com a empresa portuguesa OpusCalsis em Cabo-Verde, do que em Portugal, pa\u00eds onde est\u00e1 sediada a sua morada fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre a ironia e os dotes de adivinha\u00e7\u00e3o fica suspensa a quest\u00e3o, ter\u00e1 a OpusCalsis adoptado como estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o o c\u00e9lebre boka-boka?<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda na sequ\u00eancia do teor e dos termos que a dita conversa abriu, revelou-se crucial refletir sobre a forma\u00e7\u00e3o dos recursos-humanos cabo-verdianos. Procurando compreender porque \u00e9 que, ap\u00f3s tantos anos de Coopera\u00e7\u00e3o, ainda continuem a registar-se aus\u00eancias de compet\u00eancias, recorrentemente resolvidas com a importa\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra lus\u00f3fona.<\/p>\n\n\n\n<p>Recapitulando:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>A Universidade de Aveiro encetou, em 2014, programas diversos de coopera\u00e7\u00e3o com a Universidade de Cabo Verde desde 2014 .<\/li><li>O departamento de Engenharia Civil da UA tem prestado apoios diversos, nomeadamente na celebra\u00e7\u00e3o de protocolos que facilitam a ida de estudantes para PT e na forma\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o do corpo docente, das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior de CV.<\/li><li>A Eng. Ana Velosa e o Arq. Gabriel Andrade, umas vezes envergando a indument\u00e1ria institucional, outras trajando uniforme da empresa a que presidem, t\u00eam vindo a dar forma\u00e7\u00e3o em diversas institui\u00e7\u00f5es cabo-verdianas, nomeadamente no \u00e2mbito do Projeto Dinamiza\u00e7\u00e3o e Requalifica\u00e7\u00e3o Tur\u00edstica na Ilha do Maio 2016\/2019, promovido pelo Instituto Marqu\u00eas Valle Flor (IMVF), que s\u00f3 entre 2018 e 2019 ter\u00e1 arrecadado a verba de 12 624 454,00 EUR ( entre apoios do IP Cam\u00f5es, da Uni\u00e3o Europeia, da Gulbenkian e da C\u00e2mara do Maio) para apoiar o desenvolvimento da ilha. \u201cCal em Cabo Verde, Produ\u00e7\u00e3o e Utiliza\u00e7\u00e3o, aplica\u00e7\u00e3o na ilha do maio\u201d assim se intitulava a forma\u00e7\u00e3o, que esteve a cargo de Ana Velosa, Gabriel Silva e Vera Marques.&nbsp;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Efectivamente tem sido imensa, cara e sofisticada a coopera\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica que, em jeito de Ajuda P\u00fablica ao Desenvolvimento, tem sido despejada em cima da liga\u00e7\u00e3o entre Portugal e Cabo Verde. No entanto, desafortunadamente, nem a abund\u00e2ncia, nem a sofistica\u00e7\u00e3o, parecem ter sido capazes de fazer germinar, em ch\u00e3o insular, os recursos humanos essenciais para consolidar o processo de independ\u00eancia das ilhas. De facto, o que parece brotar sem constrangimentos, s\u00e3o as depend\u00eancias de Cabo Verde em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cajuda\u201d dos terceiros do costume.<\/p>\n\n\n\n<p>Este tipo de coopera\u00e7\u00e3o pouco transparente, ao substituir o estado e outros agentes locais por entidades do pa\u00eds financiador, promove a perpetua\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia da \u201cajuda\u201d internacional, gerando novas formas de tolher o desenvolvimento e a autonomiza\u00e7\u00e3o de Cabo-Verde.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lamentavelmente a aus\u00eancia de crit\u00e9rios claros e de rigorosos mecanismos de controlo, da rela\u00e7\u00e3o entre os financiamentos p\u00fablicos e as iniciativas privadas, tem fomentado o crescimento de uma s\u00e9rie de liga\u00e7\u00f5es e neg\u00f3cios oportunistas, amplamente criticados em diversos relat\u00f3rios internacionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, decerto a Eng. Ana Velosa, o Arq. Gabriel Silva, a UA , a DRCN, a OpusCalsis, o Instituto do Patrim\u00f3nio Cultural (IPC) estariam cientes dos riscos de suspei\u00e7\u00e3o que incorriam, ao decidirem colaborar ao abrigo de uma coopera\u00e7\u00e3o carecida de transpar\u00eancia e regula\u00e7\u00e3o. Pelo que, certamente, n\u00e3o ter\u00e3o qualquer embara\u00e7o na clarifica\u00e7\u00e3o das seguintes quest\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>A prospec\u00e7\u00e3o das necessidades de restauro, efectuada ao abrigo da Coopera\u00e7\u00e3o financiada com dinheiros p\u00fablicos ter\u00e1, de alguma forma, fomentado a cria\u00e7\u00e3o da empresa privada OpusCalsis?<\/li><li>N\u00e3o existir\u00e1 um s\u00e9rio conflito de interesses entre a actividade p\u00fablica da Sra. Engenheira Ana Velosa, ao servi\u00e7o da UA e do Sr. Arquitecto Gabriel Andrade e Silva ao servi\u00e7o da DRCN e a sua actividade privada, ao servi\u00e7o da OpusCalsis, nas m\u00faltiplas interven\u00e7\u00f5es que t\u00eam vindo a realizar em Cabo Verde?<\/li><li>No decurso do levantamento das patologias do patrim\u00f3nio cultural, que a especializada equipa lus\u00f3fona levou a cabo, ter\u00e1 sido detectada a aus\u00eancia de recursos humanos cabo-verdianos que, posteriormente, haveriam de justificar a contrata\u00e7\u00e3o da empresa OpusCalsis?<\/li><li>Quem ter\u00e1 estabelecido o acordo de coopera\u00e7\u00e3o com o IPC, a empresa privada OpusCalsis? Ou as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas portuguesas, \u00e0s quais a Engenheira e o Arquitecto est\u00e3o ligados?<\/li><li>At\u00e9 onde se estender\u00e1, no tempo e no espa\u00e7o, a rela\u00e7\u00e3o da OpusCalsis com as ind\u00fastrias criativas cabo-verdianas?<\/li><li>Quanto ter\u00e3o custado, ao governo de Cabo Verde, os servi\u00e7os prestados pela OpusCalsis? Ou, ter\u00e3o os custos sido suportados pela UA e a DRCN?<\/li><li>Existir\u00e1 alguma articula\u00e7\u00e3o entre o IPC e as Universidades de Cabo Verde, no sentido de adequar a forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica \u00e0s reais necessidades de Cabo Verde, de forma a evitar a eterna depend\u00eancia de especialistas estrangeiros?<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Em nome da honradez das mulheres e dos homens que, dia-ap\u00f3s-dia reabilitam o patrim\u00f3nio humano das ilhas, seria decente que os contratos celebrados entre o governo cabo-verdiano e as empresas portuguesas fossem formalmente divulgados! Seria de interesse p\u00fablico divulgar o teor e os termos do contrato celebrado entre o IPC e a OpusCalsis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por respeito \u00e0 popula\u00e7\u00e3o cabo-verdiana, de novo empurrada para uma esp\u00e9cie de Frentes de Alta Intensidade da M\u00e3o-de-Obra, como forma de mitigar a fome e a pobreza, \u00e9 crucial esclarecer o teor, os termos e os resultados da coopera\u00e7\u00e3o. Instando as entidades cabo-verdianas e portuguesas a averiguarem, com rigor, para onde s\u00e3o canalizados os recursos financeiros que deveriam servir para acudir \u00e0 pobreza, diminuir as assimetrias sociais e melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida do povo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 urgente reparar as expectativas dos cidad\u00e3os cabo-verdianos, evitando que seu suor e l\u00e1grimas se dissipem em solos perme\u00e1veis de bancas furadas. Pelo que, \u00e9 tempo de desligar a Ajuda P\u00fablica ao Desenvolvimento da desregulada aquisi\u00e7\u00e3o de bens ou servi\u00e7os a empresas portuguesas! \u00c9 urgente clarificar a quem serve esta coopera\u00e7\u00e3o pouco transparente.<\/p>\n\n\n\n<p>Estou certa, de que estes esclarecimentos ser\u00e3o um contributo essencial para desembara\u00e7ar a rela\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses. Creio que s\u00f3 assim poderemos almejar dar in\u00edcio a um tempo novo &#8211; humanizado, longe dos maus v\u00edcios e dos p\u00e9ssimos h\u00e1bitos! Em condi\u00e7\u00f5es para edificar, de raiz, uma rela\u00e7\u00e3o de respeito m\u00fatuo, onde n\u00e3o caibam (pre)conceitos e pr\u00e1ticas abusivas, sob a m\u00e1scara da Ajuda P\u00fablica ao Desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f3nia Marques<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo foi originalmente publicado no jornal \u201cSantiago Magazine\u201d&nbsp;<a href=\"https:\/\/santiagomagazine.cv\/ponto-de-vista\/patologias-do-patrimonio-cultural-cabo-verdiano?fbclid=IwAR28hnxcg3jyb7dK8cgevJLnvSLSu7OfRk5x5IEaH5rqGdHSFbDyMioRYpM\">https:\/\/santiagomagazine.cv\/ponto-de-vista\/patologias-do-patrimonio-cultural-cabo-verdiano<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mas, se \u00e0 generalidade dos cabo-verdianos parecem faltar qualifica\u00e7\u00f5es para obras de restauro, \u00e0 equipa do CNAD parece n\u00e3o terem faltado dotes de adivinha\u00e7\u00e3o de contactos empresariais ocultos. 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