{"id":4140,"date":"2026-01-16T17:09:16","date_gmt":"2026-01-16T17:09:16","guid":{"rendered":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/?p=4140"},"modified":"2026-03-06T16:04:51","modified_gmt":"2026-03-06T16:04:51","slug":"as-rondas-da-longa-noite-docente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/2026\/01\/16\/as-rondas-da-longa-noite-docente\/","title":{"rendered":"As Rondas da Longa Noite Docente"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Anatomia de um corpo indolente<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos celebram o pagamento das d\u00edvidas antigas como uma vit\u00f3ria final, esquecendo que o pouco que se conquistou foi arrancado com esfor\u00e7o e muita luta, e n\u00e3o por benevol\u00eancia institucional. Outros veem nas sucessivas rondas de negocia\u00e7\u00e3o um sinal de vitalidade democr\u00e1tica. Contudo, sob a superf\u00edcie desta normalidade, desenha-se uma estrat\u00e9gia de gest\u00e3o de sil\u00eancios. Esta &#8216;serenidade&#8217; induzida \u00e9 uma armadilha: ela prepara a derradeira etapa que, em dezembro de 2026, pretende &#8216;resolver&#8217; a falta de professores atrav\u00e9s da extin\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria designa\u00e7\u00e3o da carreira e da altera\u00e7\u00e3o profunda das nossas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00e3o pararmos este processo agora, a passividade de hoje obrigar\u00e1, amanh\u00e3, a esfor\u00e7os reivindicativos descomunais para tentar recuperar o que foi entregue sem resist\u00eancia. O que se segue \u00e9 uma an\u00e1lise sobre a <strong>&#8216;Engenharia da Passividade&#8217;<\/strong> que submete o futuro da nossa profiss\u00e3o \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da nova AGSE. Eis o retrato da nossa submiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p> [ <strong>Nota Introdut\u00f3ria<\/strong> ]<\/p>\n\n\n\n<p>Neste ensaio, elaboro sobre a <strong>Est\u00e9tica da Submiss\u00e3o<\/strong> que o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MECI) ergue perante os nossos olhos com o engenho de um ilusionista e a frieza de um mercador ultraliberal. Entre o ru\u00eddo dos despachos e o sil\u00eancio das salas de professores, permane\u00e7o atenta \u00e0s miser\u00e1veis coreografias pol\u00edticas. Partindo do simulacro de 14 de janeiro, denuncio a &#8220;anatomia do corpo indolente&#8221; &#8211; essa classe que aceita, sem sobressaltos, ser processada em masmorras administrativas, onde se define a sua pena laboral!<\/p>\n\n\n\n<p>Estabele\u00e7o aqui um paralelo, propositadamente desconfort\u00e1vel, entre a obra-prima &#8211; <em>A Ronda da Noite<\/em> de Rembrandt &#8211; e os miser\u00e1veis retratos das Rondas Sindicais. Escrevo para convocar cada colega a resgatar a sua acuidade intelectual e a reconhecer que a arquitetura desta encena\u00e7\u00e3o \u00e9, em si mesma, uma declara\u00e7\u00e3o de guerra. Ou procedemos agora \u00e0 leitura impiedosa deste jogo de sombras, ou seremos eternos figurantes de uma carreira imposta pelos artistas ultraliberais devotos do Mercado e da Gl\u00f3ria das <em>opus magnum<\/em> do Capital!<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1480\" height=\"1497\" src=\"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Captura-de-ecra-2026-01-16-as-16.22.53.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4142\" srcset=\"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Captura-de-ecra-2026-01-16-as-16.22.53.png 1480w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Captura-de-ecra-2026-01-16-as-16.22.53-297x300.png 297w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Captura-de-ecra-2026-01-16-as-16.22.53-1012x1024.png 1012w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Captura-de-ecra-2026-01-16-as-16.22.53-768x777.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1480px) 100vw, 1480px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem 1. <br><em>The Night Watch Militia Company of District II under the Command of Captain Frans Banninck Cocq<\/em> &#8211; Museu Rijksmuseum <br>Imagem 2. <br>Reuni\u00e3o dos Representantes Sindicais &#8211; 14 de janeiro 2026, com o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, Av. 5 de julho, Lisboa<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A reuni\u00e3o de <strong><a href=\"https:\/\/www.spn.pt\/Artigo\/ecd-habilitacoes-e-recrutamento\">14 de janeiro<\/a><\/strong> confirmou o diagn\u00f3stico: a classe docente padece de uma indol\u00eancia profunda, agravada por uma penumbra estrat\u00e9gica. Enquanto o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MECI) apaga as luzes sobre as suas reais inten\u00e7\u00f5es, o que resta do nosso estatuto jaz sobre a mesa da Avenida 5 de Outubro. Se no quadro de Rembrandt, <em><a href=\"https:\/\/www.rijksmuseum.nl\/en\/collection\/object\/The-Night-Watch-Militia-Company-of-District-II-under-the-Command-of-Captain-Frans-Banninck-Cocq--3137deb45cd7765f9a76084a16c99544\">A Ronda da Noite<\/a><\/em>, os integrantes pagaram cem florins do seu pr\u00f3prio bolso para figurar na tela, hoje o MECI subverte a l\u00f3gica da encomenda: utiliza o pagamento de d\u00edvidas antigas &#8211; reclamadas na rua e na barra de tribunais anos a fio &#8211; para financiar a nossa sa\u00edda de cena e assim aplicar o golpe da extin\u00e7\u00e3o do que sobeja de carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>1.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao observarmos a imagem da reuni\u00e3o ministerial em espelho com o p\u00fablico que contempla a obra de Rembrandt, a correla\u00e7\u00e3o \u00e9 fatal. O MECI converteu os representantes e, por consequ\u00eancia, a classe, em meros visitantes de museu. Tal como o p\u00fablico observa a mil\u00edcia de 1642 sem poder alterar o tra\u00e7o ou a ordem de marcha, os docentes foram relegados ao papel de meros observadores de uma reforma que j\u00e1 est\u00e1 \u201cencaixilhada&#8221;. Esta \u00e9 a <em><a href=\"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/2025\/12\/29\/a-estetica-de-uma-emissao-ministerial-2\/\">est\u00e9tica da submiss\u00e3o<\/a><\/em>: enquanto os &#8220;oficiais&#8221; da Avenida 5 de Outubro ocupam o lugar privilegiado de comando, a classe assiste \u00e0 dist\u00e2ncia, imobilizada por uma &#8220;paz social&#8221; que \u00e9, na verdade, uma paralisia sensorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta submiss\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada pela pr\u00f3pria encena\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e pela fragilidade do pretexto. Agendar uma reuni\u00e3o apenas para &#8220;auscultar&#8221; os sindicatos \u00e9 a prova cabal da fal\u00e1cia do protocolo negocial; n\u00e3o h\u00e1 proposta, apenas o tempo que passa enquanto a classe definha. Ao sentar os representantes sindicais frente \u00e0 nomenclatura ministerial numa sala estreita, baixa, sem luz direta, relegados a uma promiscuidade espacial que anula a solenidade do encontro, o Minist\u00e9rio elabora um acto f\u00edsico de menosprezo. Esta asfixia deliberada \u00e9 a materializa\u00e7\u00e3o da arrog\u00e2ncia: o espa\u00e7o comprime os corpos para simbolizar a irrelev\u00e2ncia das vozes.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e3o ou mais grave do que a inten\u00e7\u00e3o do MECI \u00e9 a anu\u00eancia silenciosa dos sindicatos face a este atentado est\u00e9tico, de alt\u00edssimo valor simb\u00f3lico. Ao aceitarem reunir-se nestas condi\u00e7\u00f5es, sem exigir o rigor de uma proposta escrita e a dignidade de um espa\u00e7o que respeite a magistratura que representam, as estruturas sindicais validam a sua pr\u00f3pria redu\u00e7\u00e3o a figurantes. \u00c9 leg\u00edtimo perguntar: onde est\u00e3o as <em>boiseries<\/em> requintadas, os sal\u00f5es nobres e os <a href=\"https:\/\/youtu.be\/KhGgk5HXbyU?t=2153\"><em>teatros thalias<\/em> <\/a>que servem de cen\u00e1rio para as emiss\u00f5es oficiais de propaganda? Ao aceitarem a penumbra e o aperto, os sindicatos confirmam que o docente deixou de ser interlocutor de um des\u00edgnio nacional para ser apenas um corpo inc\u00f3modo a ser processado num espa\u00e7o sem luz.<\/p>\n\n\n\n<p>2. <\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise deste simulacro negocial revela uma inequ\u00edvoca m\u00e1-f\u00e9 estrutural. O Protocolo Negocial (doc_01) assinado em novembro de 2025 est\u00e1, na verdade, ferido de morte pelo seu pr\u00f3prio desenho jur\u00eddico. O conte\u00fado desse protocolo, subscrito por 10 das 12 entidades sindicais, \u00e9 assumidamente abusivo. Trata-se de um documento desenhado para garantir que a classe n\u00e3o recupere a consci\u00eancia antes da sua completa reestrutura\u00e7\u00e3o administrativa. O abuso reside na gest\u00e3o do sil\u00eancio e na manipula\u00e7\u00e3o do tempo, num claro alinhamento com os interesses pol\u00edtico-partid\u00e1rios do governo:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>A Aus\u00eancia de Horizonte:<\/strong> Ao contr\u00e1rio da obra de Rembrandt, que tinha data para ser conclu\u00edda, o Protocolo do MECI n\u00e3o fixa qualquer data de t\u00e9rmino para as negocia\u00e7\u00f5es.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>O Artigo 5.\u00ba \/ sem prazo para findar:<\/strong> A cl\u00e1usula que transforma o di\u00e1logo num &#8220;buraco negro&#8221; temporal. O Minist\u00e9rio det\u00e9m o rel\u00f3gio, enquanto as mat\u00e9rias estruturais s\u00e3o empurradas para um horizonte inexistente.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>O &#8220;Triple Timing&#8221; da Submiss\u00e3o:<\/strong> Primeiro, atira-se sobre a classe as parcelas da Recupera\u00e7\u00e3o do Tempo de Servi\u00e7o (RTS) &#8211; usando a penosa devolu\u00e7\u00e3o do que nos pertence como narc\u00f3tico; segundo, asfixia-se o debate com reuni\u00f5es de \u201causculta\u00e7\u00e3o\u201d e outras destitu\u00eddas de compromisso; terceiro, ganha-se tempo para que a <a href=\"https:\/\/agse.pt\/sobre\/\">AGSE<\/a>  se torne um facto consumado e irrevers\u00edvel at\u00e9 dezembro de 2026.<br><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>3. <\/p>\n\n\n\n<p>Entre o esbo\u00e7o e o verniz final, o MECI executa uma manobra de engenharia temporal destinada a garantir a indol\u00eancia do corpo docente. Ao amarrar o professor a um labirinto de valida\u00e7\u00f5es, o sistema condiciona o processo a uma &#8220;rela\u00e7\u00e3o serena&#8221; com as dire\u00e7\u00f5es. O professor <em>evita movimentos bruscos<\/em> porque teme que se rompa o fio t\u00e9nue que o liga \u00e0 sua recupera\u00e7\u00e3o salarial. A AGSE \u00e9 o horizonte real. O MECI adia as decis\u00f5es cr\u00edticas para garantir que, quando o novo modelo de carreira for fixado, a Ag\u00eancia j\u00e1 detenha o controlo algor\u00edtmico total. Ao remeter as quest\u00f5es complexas para o final de um calend\u00e1rio indefinido, o Minist\u00e9rio aposta na exaust\u00e3o negocial para impor uma reforma de baixo impacto or\u00e7amental sob o pretexto da moderniza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, privilegiando uma l\u00f3gica de gest\u00e3o neoliberal em preju\u00edzo da valoriza\u00e7\u00e3o da carreira docente.<\/p>\n\n\n\n<p>4. <\/p>\n\n\n\n<p>Perante este simulacro, a interpreta\u00e7\u00e3o dos piores sinais e das mais inauditas evid\u00eancias n\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio acad\u00e9mico; \u00e9 um ato racional de sobreviv\u00eancia. Se o Minist\u00e9rio utiliza o <em>chiaroscuro<\/em> para esconder as entrelinhas, cabe ao docente &#8211; que resiste, persiste e actua como intelectual &#8211; usar a sua literacia cient\u00edfica para descortinar a fraude. \u00c9 imperativo que tratemos os documentos ministeriais n\u00e3o como eventuais orienta\u00e7\u00f5es legais, mas como aut\u00eanticas declara\u00e7\u00f5es de guerra que visam eliminar, de vez, a carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podemos permitir que os pontuais pagamentos de d\u00edvidas, fruto de muito trabalho, luta e processos em tribunais, nos retirem a acuidade intelectual. Desmontar os decretos que d\u00e3o corpo \u00e0 AGSE, com o rigor e assertividade, \u00e9 o \u00fanico caminho para rasgar a moldura do simulacro negocial e expor a patologia que ele encobre.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A <em>Opus Magnum<\/em> da Indol\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Rembrandt n\u00e3o pintou o que a mil\u00edcia queria ver; apesar das consequ\u00eancias, ele arriscou afirmar a sua ousadia ao preferir a verdade do movimento \u00e0 vaidade do retrato. Inversamente, a &#8220;obra&#8221; que o MECI desenha agora para n\u00f3s \u00e9 o retrato fiel da nossa pr\u00f3pria aus\u00eancia: uma composi\u00e7\u00e3o onde o docente j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o protagonista, mas o fundo onde se projeta a vontade do Capital.<\/p>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio est\u00e1 a ultimar a sua pr\u00f3pria &#8220;Opus Magnum&#8221;: a cria\u00e7\u00e3o de um organismo inanimado &#8211; o&nbsp;<strong>Corpo Indolente<\/strong> &#8211; que aceita a sua dilui\u00e7\u00e3o administrativa em troca da quita\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas antigas. Enquanto as estruturas sindicais discutem a espessura da moldura e a classe contempla o quadro com vacuidade, o cinzel da m\u00e1quina administrativa da AGSE vai esculpindo o vazio.<\/p>\n\n\n\n<p>Imp\u00f5e-se o exerc\u00edcio da dignidade do pensamento cr\u00edtico e revolucion\u00e1rio: j\u00e1 n\u00e3o basta observar a composi\u00e7\u00e3o ou analisar os elementos&nbsp;<em>horribilis<\/em>&nbsp;que a integram. \u00c9 preciso recusar o papel de espectador de uma carreira condenada a ser arquivo morto do &#8220;Museu das Derrotas do Corpo Indolente&#8221;. \u00c0 semelhan\u00e7a de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.fondazioneluciofontana.it\/en\/i-tagli-1958-1968\/\"><strong>Lucio Fontana<\/strong>,<\/a> o nosso dever n\u00e3o \u00e9 contemplar a moldura que nos asfixia, mas desferir o golpe e rasgar a tela do simulacro, atravessando a encena\u00e7\u00e3o ministerial para resgatar o direito a existir numa escola p\u00fablica de qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f3nia Marques<\/p>\n\n\n\n<p>(doc_01) Protocolo Negocial <\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden class=\"wp-block-file__embed\" data=\"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/protocolo.pdf\" type=\"application\/pdf\" style=\"width:100%;height:600px\" aria-label=\"Incorpora\u00e7\u00e3o de protocolo.\"><\/object><a id=\"wp-block-file--media-1b1b2071-1cbb-4839-b323-e5934b45432a\" href=\"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/protocolo.pdf\">protocolo<\/a><a href=\"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/protocolo.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-1b1b2071-1cbb-4839-b323-e5934b45432a\">Descarregar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos celebram o pagamento das d\u00edvidas antigas como uma vit\u00f3ria final, esquecendo que o pouco que se conquistou foi arrancado com esfor\u00e7o e muita luta, e n\u00e3o por benevol\u00eancia institucional. Outros v\u00eam nas sucessivas rondas de negocia\u00e7\u00e3o um sinal de vitalidade democr\u00e1tica. Contudo, sob a superf\u00edcie desta normalidade, desenha-se uma estrat\u00e9gia de gest\u00e3o de sil\u00eancios. Esta &#8216;serenidade&#8217; induzida \u00e9 uma armadilha: ela prepara a derradeira etapa que, em dezembro de 2026, pretende resolver a falta de professores atrav\u00e9s da extin\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria designa\u00e7\u00e3o da carreira e da altera\u00e7\u00e3o profunda das nossas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o pararmos este processo agora, a passividade de hoje obrigar\u00e1, amanh\u00e3, a esfor\u00e7os reivindicativos descomunais para tentar recuperar o que foi entregue sem resist\u00eancia. O que se segue \u00e9 uma an\u00e1lise sobre a &#8216;Engenharia da Passividade&#8217; que molda o futuro da nossa profiss\u00e3o e a funda\u00e7\u00e3o da nova AGSE. 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