{"id":4212,"date":"2026-06-23T18:16:46","date_gmt":"2026-06-23T18:16:46","guid":{"rendered":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/?p=4212"},"modified":"2026-06-24T14:07:56","modified_gmt":"2026-06-24T14:07:56","slug":"a-greve-e-a-voz-da-monodocencia-a-porta-da-agse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/2026\/06\/23\/a-greve-e-a-voz-da-monodocencia-a-porta-da-agse\/","title":{"rendered":"A GREVE e a VOZ da Monodoc\u00eancia, \u00e0 porta da AGSE"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>15 de junho &#8211; a Situa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No dia 15 de junho de 2026, os professores do Pr\u00e9-Escolar e do Primeiro Ciclo, unidos pelas dores laborais num amplo Movimento coletivo de den\u00fancia e protesto, afirmaram publicamente a gravidade do abuso que se abateu sobre as suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, dando corpo a um robusto dia de Greve.<\/p>\n\n\n\n<p>O <a href=\"https:\/\/docentes.pt\/relatorio-do-inquerito-nacional-professores-em-monodocencia\/\">diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o laboral<\/a>, tra\u00e7ado por mais de 7000 monodocentes entre 27 de fevereiro e 4 de mar\u00e7o de 2026, colocou em evid\u00eancia as malfeitorias que abalam o seu desempenho profissional. O detalhe, o conte\u00fado e a dimens\u00e3o territorial da participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixam margem para d\u00favidas: o Direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o na Inf\u00e2ncia est\u00e1 em causa, em virtude da adultera\u00e7\u00e3o da matriz profissional e do desvio das fun\u00e7\u00f5es sociais de que s\u00e3o v\u00edtimas os monodocentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Face \u00e0 inoper\u00e2ncia da tutela e \u00e0 dimens\u00e3o da trag\u00e9dia ilustrada pelos dados e evid\u00eancias recolhidos, a monodoc\u00eancia &#8211; <strong>consciente de que um dia a mais sem solu\u00e7\u00f5es \u00e9 um dia a menos de Educa\u00e7\u00e3o a s\u00e9rio na vida de cada crian\u00e7a<\/strong> &#8211; n\u00e3o se conforma e persiste na den\u00fancia. Entre os mil e um problemas que tem em m\u00e3os, encontrou forma de organizar uma Greve revestida de especial simbolismo. O dia<strong> 15 de junho<\/strong> foi escolhido por assinalar o momento em que terminam as aulas para quase todos os alunos, com exce\u00e7\u00e3o dos mais novos. <strong>A Inf\u00e2ncia, por determina\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio escolar definido pela tutela, continuar\u00e1 no ativo, at\u00e9 quando Deus quiser, a aprender a soletrar calv\u00e1rio e a conjugar descaso com abandono.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Inf\u00e2ncia Suspensa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse entretanto, a sala, quente ou fria, com ou sem amianto, com janelas maiores ou mais esguias, ser\u00e1 a mesma do costume. O colega do lado a importunar, a <em>t-shirt<\/em> a pingar de suor ap\u00f3s a pausa do lanche, a bata apertada, a mochila insustent\u00e1vel, os l\u00e1pis rombudos, as canetas sem tampa e os livros cansados de tanto virar de p\u00e1gina acusam o desgaste provocado pela extens\u00e3o do ano escolar &#8211; imposto apenas para arrumar os mi\u00fados em qualquer lado, para que o desregulado mercado de trabalho possa continuar a laborar e a esmagar o tempo das fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas escolas da Pr\u00e9 e do Primeiro Ciclo, maioria das vezes longe da vista e do cora\u00e7\u00e3o da Sede de Agrupamento, o <strong>tempo da inf\u00e2ncia permanecer\u00e1 suspenso<\/strong>, ref\u00e9m de um circo de feras que despreza os direitos das crian\u00e7as. Quinze dias s\u00e3o uma eternidade para quem anseia, sem saber, pousar a cabe\u00e7a na areia da praia, mergulhar o corpo num banho de mar, repousar no colo da fam\u00edlia e dedicar corpo e alma \u00e0 meninice, sem testes, fichas ou calend\u00e1rios apertados. <strong>Quinze dias s\u00e3o um desatino<\/strong>!<\/p>\n\n\n\n<p>Com o solst\u00edcio de ver\u00e3o a pino, os infantes, a suar em bica, v\u00e3o sentir na pele a crueza do impacto provocado pelo momento em que o Sol se apresenta em todo o seu esplendor. Vai ser lindo! Com salas a fumegar, paci\u00eancia esgotada e o estio a entrar pelas janelas adentro sem pedir licen\u00e7a, caber\u00e1 ao monodocente de servi\u00e7o operar o milagre da multiplica\u00e7\u00e3o dos bal\u00f5es de S\u00e3o Jo\u00e3o e apelar aos santos restantes para aguentar a marcha at\u00e9 ao final do ano letivo. Vai ser mesmo lindo!<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a inf\u00e2ncia ferve num lume que a tutela ignora e que a generalidade da popula\u00e7\u00e3o recusa perceber, os professores e educadores, tamb\u00e9m eles mergulhados na agonia de um ano que se estende para al\u00e9m do infinito, s\u00e3o chamados a acrescentar mais fun\u00e7\u00f5es ao seu extenuante mart\u00edrio letivo! \u00c0s mil e uma tarefas que entraram pela escola dentro sem pedir licen\u00e7a e se instalaram \u00e0s costas do monodocente, soma-se, neste prolongamento abusivo, a gest\u00e3o do mapa das emo\u00e7\u00f5es ao rubro de mi\u00fados e gra\u00fados a quem sobra calend\u00e1rio escolar, mas escasseia um competente plano pedag\u00f3gico de conclus\u00e3o de ano letivo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alerta Geral &#8211; A Greve N\u00e3o \u00e9 um simulacro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O protesto dos professores da Inf\u00e2ncia, fundado num amplo processo de diagn\u00f3stico das adversidades profissionais que enfrentam, foi um aviso, uma esp\u00e9cie de sinaliza\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cCPCJ\u201d sobre o abandono social e institucional de que s\u00e3o v\u00edtimas as crian\u00e7as que frequentam a Pr\u00e9-Escola e o Primeiro Ciclo e, por uma perversa cumplicidade de iner\u00eancia, os seus pr\u00f3prios educadores e professores.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a base do sistema sinaliza uma falha desta gravidade, \u00e9 todo o edif\u00edcio do Estado social que deveria tremer. <strong>Esta den\u00fancia, vinda dos professores basilares &#8211; os obreiros da primeira inf\u00e2ncia, deveria despertar uma profunda crise de consci\u00eancia coletiva numa sociedade que aceitou normalizar o dep\u00f3sito de crian\u00e7as em salas insuport\u00e1veis e a fumegar para n\u00e3o perturbar a engrenagem econ\u00f3mica.<\/strong> Devia ser o golpe final na hipocrisia de uma tutela muito mais lesta a escancarar as portas do Minist\u00e9rio aos neg\u00f3cios e \u00e0s aventuras privadas, financiadas com dinheiros p\u00fablicos, do que a p\u00f4r termo a calend\u00e1rios pedagogicamente insustent\u00e1veis onde fervem mi\u00fados e gra\u00fados.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas em vez do abalo institucional que a gravidade do aviso exigia, o que encontr\u00e1mos nesse dia, em Lisboa, foi a confirma\u00e7\u00e3o, em diversos atos, <strong>do abandono institucional que tutela o setor e do destempo sindical que, perante a gravosa conduta ministerial, opta por ser compasso de espera ao inv\u00e9s de ser novo ritmo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"461\" src=\"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AGSE-1024x461.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4214\" srcset=\"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AGSE-1024x461.jpeg 1024w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AGSE-300x135.jpeg 300w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AGSE-768x346.jpeg 768w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AGSE-1536x691.jpeg 1536w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AGSE.jpeg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">AGSE &#8211; Loja de Conveni\u00eancia, inaugurada no Ver\u00e3o Passado por Fernando Alexandre<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Absurdo \u00e0 porta da <em>Loja de Conveni\u00eancia <\/em>&#8211; AGSE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Especial relev\u00e2ncia assumiu o infeliz epis\u00f3dio registado \u00e0 porta do Minist\u00e9rio, atual sede da <em>loja de conveni\u00eancia<\/em> &#8211; AGSE, criada pelo Ministro Fernando Alexandre. N\u00e3o, n\u00e3o me refiro \u00e0 indisponibilidade para dar voz e espa\u00e7o \u00e0s professoras que vieram de longe para proclamar as dores laborais de que padecem. N\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o me refiro \u00e0 greve agendada \u00e0 pressa para justificar as faltas de docentes que j\u00e1 tinham esgotado os cr\u00e9ditos hor\u00e1rios para assistir a plen\u00e1rios e tribunas. T\u00e3o-pouco fa\u00e7o alus\u00e3o \u00e0 dispers\u00e3o sindical, motivada por disputas de protagonismo que sobrecarregam os professores e aliviam a tutela. N\u00e3o, de todo. Apesar de se constitu\u00edrem como fortes candidatas, nenhuma dessas situa\u00e7\u00f5es tem a for\u00e7a necess\u00e1ria para configurar o absurdo inscrito na cena que haveria de ter lugar na escadaria do Minist\u00e9rio, de costas para a multid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No decurso da tribuna p\u00fablica, que a gest\u00e3o de tr\u00e2nsito remeteu para debaixo da ponte, foi anunciada a desloca\u00e7\u00e3o de uma delega\u00e7\u00e3o sindical ao outro lado da rua, para entregar em m\u00e3os o caderno de reivindica\u00e7\u00f5es dos Monodocentes. Constitu\u00eddo o grupo, assim se fizeram \u00e0 estrada, atravessaram a multid\u00e3o e encaminharam-se para a porta do Minist\u00e9rio &#8211; ou melhor dizendo, AGSE, dado ser esta a placa que agora luz na parede do edif\u00edcio da Rep\u00fablica Portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed chegados, foram prontamente impedidos de aceder \u00e0 escadaria pela for\u00e7a policial destacada para proteger a fachada ministerial da tribuna popular. Num claro e inequ\u00edvoco gesto de soberba institucional, os pol\u00edcias investidos de superpoderes tiveram o seu momento. Ali, alinhados num bloqueio institucional, numa clara demonstra\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o que assiste ao protesto dos Monodocentes, os agentes entregaram aos representantes dos professores o reflexo pr\u00e1tico da inf\u00e2ncia negligenciada: uma educa\u00e7\u00e3o que, ao falhar redondamente na humaniza\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o lhes permitiu aprender a quem realmente devem defer\u00eancia e respeito. O resultado dessa miser\u00e1vel engrenagem est\u00e1 \u00e0 vista de todos &#8211; na hora de decidir de que lado est\u00e1 a raz\u00e3o, os agentes de seguran\u00e7a n\u00e3o vacilam: a raz\u00e3o est\u00e1 sempre do lado do \u201cpatr\u00e3o\u201d!<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a verdadeira humilha\u00e7\u00e3o, a consuma\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica daquela cena indecorosa, estava guardada para os minutos seguintes, expressando-se na coreografia de uma submiss\u00e3o intoler\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s uma espera longa e vigiada por uma refor\u00e7ada equipa policial, l\u00e1 surgiu a autoriza\u00e7\u00e3o para dar passagem ao grupo. <strong>N\u00e3o consta que tenha sido apresentado qualquer pedido de desculpa pelo absurdo do bloqueio<\/strong>; <strong>n\u00e3o consta que algu\u00e9m se tenha retratado da humilha\u00e7\u00e3o a que sujeitou o corpo docente, ali representado por aquela delega\u00e7\u00e3o<\/strong>. Ainda assim, sem qualquer lampejo de indigna\u00e7\u00e3o, os representantes dos professores acederam a subir a escadaria do Minist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, para mal dos pecados de toda uma <em>classe<\/em>, a submiss\u00e3o ao reino do Senhor Fernando n\u00e3o se fez em triunfo, t\u00e3o-pouco mereceu a aclama\u00e7\u00e3o dos tribunos que assistiam debaixo da ponte. Lamentavelmente, <strong>a delega\u00e7\u00e3o perdeu o momento<\/strong>, <strong>n\u00e3o foi capaz de exigir na a\u00e7\u00e3o a valoriza\u00e7\u00e3o e o respeito que a dignidade da <em>carreira docente<\/em> exige &#8211; embora, por uma ironia soberba, essa mesma exig\u00eancia estivesse bem estampada na indument\u00e1ria de servi\u00e7o que vestiam<\/strong>. O contraste era inequ\u00edvoco: no tecido, o grito de revolta; nos passos que subiam a escadaria, a cabe\u00e7a baixa de quem aceita que a humilha\u00e7\u00e3o institucional seja a nova forma de receber a classe docente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"537\" src=\"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AGSE_bloqueio-1-1024x537.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4216\" srcset=\"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AGSE_bloqueio-1-1024x537.jpeg 1024w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AGSE_bloqueio-1-300x157.jpeg 300w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AGSE_bloqueio-1-768x403.jpeg 768w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AGSE_bloqueio-1-1536x806.jpeg 1536w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AGSE_bloqueio-1.jpeg 1715w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Nem tudo o que Luz \u00e9 Ouro, \u00e0s vezes \u00e9 s\u00f3 chapa e afronta em forma de AGSE<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O palanque da sujei\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a cena n\u00e3o se finda por aqui. Transposta a primeira barreira &#8211; a policial, o cen\u00e1rio de submiss\u00e3o transferiu-se para o interior do edif\u00edcio. No \u00e1trio daquela <em>loja de conveni\u00eancia<\/em> a que agora chamam AGSE, a delega\u00e7\u00e3o sindical, e com ela toda a classe docente, deixou-se arrastar para mais uma longa e ultrajante afronta &#8211; 45 minutos de espera.<\/p>\n\n\n\n<p>A ironia \u00e9 requintada: quarenta e cinco minutos \u00e9, na maioria das escolas, a dura\u00e7\u00e3o exata de um tempo letivo. <strong>O mesmo Ministro que se mostra incapaz de contar quantos milhares de alunos est\u00e3o sem professores nas salas de aula conta, com precis\u00e3o cir\u00fargica, os 45 minutos necess\u00e1rios para dar uma aula de submiss\u00e3o aos seus pr\u00f3prios profissionais.<\/strong> Mas, ainda assim, consumado o frete da entrega e digerida a humilha\u00e7\u00e3o no \u00e1trio, a delega\u00e7\u00e3o sindical regressou ao palanque exterior para partilhar com os restantes o sum\u00e1rio da ocasi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Instalados na tribuna p\u00fablica, os porta-vozes agarraram no microfone para reportar o balan\u00e7o aos professores que ainda aguardavam pelo desfecho da desloca\u00e7\u00e3o. Erguendo o tom num registo de queixa burocr\u00e1tica, classificaram como &#8220;inadmiss\u00edvel&#8221; a espera dilatada a que tinham sido sujeitos, dado que a tutela fora informada, com duas semanas de anteced\u00eancia, da inten\u00e7\u00e3o da entrega.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contudo, sobre o facto de terem sido barrados \u00e0 entrada pela for\u00e7a policial? Nem uma \u00fanica palavra. Sobre a vergonha da cal\u00e7ada, que a imagem imortaliza, sil\u00eancio absoluto. Por alguma raz\u00e3o, que n\u00e3o foi proclamada, ter\u00e1 sido mais conveniente circunscrever o relato ao tempo de espera no \u00e1trio do que denunciar a prepot\u00eancia e a arrog\u00e2ncia do MECI, exposta e consumada \u00e0 porta da <em>Loja de Conveni\u00eancia<\/em> &#8211; AGSE.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Emancipa\u00e7\u00e3o que urge a transpar\u00eancia que incomoda&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, apesar da v\u00e3 e ingl\u00f3ria espera em dois atos, o tempo ainda assim foi escasso para deixar aceder \u00e0 tribuna (quase) p\u00fablica quem pretendia partilhar a Voz e as dores laborais dos Monodocentes. E assim, somando bloqueios, estrat\u00e9gias antigas e argumentos requentados, foi dado a ver que n\u00e3o faltam raz\u00f5es para olharmos a Inf\u00e2ncia com outros olhos &#8211; quanto mais n\u00e3o seja para evitar que a vida adulta se torne assim, t\u00e3o desinteressante.<\/p>\n\n\n\n<p>A ironia maior deste encontro em espa\u00e7o p\u00fablico reside no fatal desencontro entre a dimens\u00e3o da urg\u00eancia laboral &#8211; a emerg\u00eancia de um arrojado calend\u00e1rio reivindicativo &#8211; e as micro-panaceias ministeriais e sindicais que se arrastam ano ap\u00f3s ano letivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, sem rede, sem amparo e com elevada intoler\u00e2ncia \u00e0s f\u00f3rmulas saturadas, os monodocentes demonstraram que, apesar de s\u00f3s, n\u00e3o est\u00e3o entregues \u00e0 sua sorte. Lan\u00e7aram as bases de uma greve cir\u00fargica, <a href=\"https:\/\/metaprof.pt\/forms\/gam\/relatorio\/pmd\/\">monitorizada ao minuto<\/a>, colocando nas m\u00e3os de cada educador e de cada professor ferramentas de emancipa\u00e7\u00e3o c\u00edvica e de transpar\u00eancia estat\u00edstica \u2014 recolhendo e revelando em tempo real a dimens\u00e3o coletiva de um protesto que n\u00e3o se compadece com as artimanhas do costume.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos bloqueios e dos desencontros, o balan\u00e7o do dia foi de uma efic\u00e1cia tremenda. Por um lado, provou que o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/watch\/?v=2036045914009723\">Lu\u00eds Primeiro<\/a> est\u00e1 redondamente desatualizado, pois os professores n\u00e3o ficaram na escola a dar aulas concentrados nas suas tarefas; por outro, exp\u00f4s sem filtros o absurdo que habita Lisboa: uma tutela que humilha por decreto e capitaliza a exaust\u00e3o alheia, uma for\u00e7a policial que se excede na ignor\u00e2ncia c\u00edvica, uma lideran\u00e7a sindical cindida, cuja vis\u00e3o deixou de perspetivar o futuro, optando por viver de mem\u00f3rias passadas, e uma multid\u00e3o barulhenta confinada ao espa\u00e7o que o poder lhe reservou debaixo da ponte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na escadaria da AGSE, a porta fechada selou o verdadeiro simbolismo daquele 15 de junho: o Minist\u00e9rio demitiu-se da Educa\u00e7\u00e3o e entregou o edif\u00edcio \u00e0 Ag\u00eancia, a quem cumpre apenas garantir que o dep\u00f3sito de crian\u00e7as funcione e a engrenagem letiva se estenda, em lume brando, at\u00e9 ao limite das for\u00e7as de mi\u00fados e gra\u00fados.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f3nia Marques<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>15 de junho &#8211; a Situa\u00e7\u00e3o No dia 15 de junho de 2026, os professores do Pr\u00e9-Escolar e do Primeiro Ciclo, unidos pelas dores laborais num amplo Movimento coletivo de den\u00fancia e protesto, afirmaram publicamente a gravidade do abuso que se abateu sobre as suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, dando corpo a um robusto dia de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4213,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,67],"tags":[161,179],"class_list":["post-4212","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-apontamentos-do-avesso","category-educacao","tag-agse","tag-metaprof"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4212"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4212\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4222,"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4212\/revisions\/4222"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4213"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}