{"id":568,"date":"2016-09-19T20:59:59","date_gmt":"2016-09-19T20:59:59","guid":{"rendered":"http:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/?p=568"},"modified":"2023-07-24T15:50:59","modified_gmt":"2023-07-24T15:50:59","slug":"o-lugar-dos-avessos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/2016\/09\/19\/o-lugar-dos-avessos-2\/","title":{"rendered":"o lugar dos avessos"},"content":{"rendered":"<div class=\"_2cuy _3dgx _2vxa\">Lugar comum.<\/div>\n<div class=\"_2cuy _3dgx _2vxa\">Gente comum.<\/div>\n<div class=\"_2cuy _3dgx _2vxa\">Senso al\u00e9m&nbsp;do comum.<\/div>\n<div class=\"_2cuy _3dgx _2vxa\">Existe conforto nos lugares de sempre, nos rostos frequentes, nos dias que se sucedem iguais, no fluir do tempo sem novidade. Pela manuten\u00e7\u00e3o dos dias comuns h\u00e1 que agarrar forte, com as duas m\u00e3os, as regularidades do quotidiano, fincar os p\u00e9s em terra usada, negar sempre o prazer da estreia.<\/div>\n<div class=\"_2cuy _3dgx _2vxa\">C\u00f3pia perp\u00e9tua, mil folhas de papel qu\u00edmico, onde o tempo se faz ausente, consumido pela sucess\u00e3o ordeira de dias banais, prendadas colec\u00e7\u00f5es de cromos repetidos, uns e outros disputam entre si o pr\u00e9mio do dia mais corriqueiro.<\/div>\n<div class=\"_2cuy _3dgx _2vxa\">Assim sucessiva e eternamente uma semana engolir\u00e1 a outra, o m\u00eas esticar-se-\u00e1 para l\u00e1 do pr\u00f3ximo, pelas doze badaladas mais um ano surgir\u00e1, fr\u00e1gil sopro de ar novo, t\u00e3o rapidamente ser\u00e1 extinto.<\/div>\n<div class=\"_2cuy _3dgx _2vxa\">O que temem os homens e as mulheres comuns? porque evitam desenhar com l\u00e1pis novo as suas paisagens? porque hesitam inscrever-se no seu tempo? porque limpam todas as marcas, apagam todos os vest\u00edgios? porque se limitam \u00e0 invisibilidade? porque se deixam embalar pelo lado dormente da vida?<\/div>\n<div class=\"_2cuy _3dgx _2vxa\">Justifica\u00e7\u00f5es, milhares de impeditivos, e outros tantos justificativos, ora s\u00e3o os filhos, ora s\u00e3o os sarilhos, ora \u00e9 a chuva, ora \u00e9 o frio! O homem comum e a mulher banal s\u00e3o verdadeiros prod\u00edgios quando argumentam em defesa dos seus v\u00edcios.<\/div>\n<div class=\"_2cuy _3dgx _2vxa\">Tradi\u00e7\u00f5es, anivers\u00e1rios, comemora\u00e7\u00f5es, mil e muitas celebra\u00e7\u00f5es impostas pela cad\u00eancia do calend\u00e1rio, ocos preceitos, rituais repetidos at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o sobre os quais j\u00e1 ningu\u00e9m lembra o sentido.<\/div>\n<div class=\"_2cuy _3dgx _2vxa\">O movimento colectivo, inconscientemente organizado, pela massa humana que se re\u00fane em torno da banalidade dos dias, constitui-se como um espect\u00e1culo em cont\u00ednuo, ao qual assistem euf\u00f3ricos aqueles que lhe moldam o destino! Como se regozijam com os proveitos das suas contendas, tudo corre perfeito, tudo est\u00e1 no lugar certo! o homem comum e a senhora banal jamais ousar\u00e3o decidir o rumo dos seus caminhos. maravilhosas criaturas, jeitosas e adestradas marionetas.<\/div>\n<div class=\"_2cuy _3dgx _2vxa\">como \u00e9 profundamente tr\u00e1gica a letargia provocada pelo receio de arriscar conhecer o avesso dos lugares!<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lugar comum. Gente comum. Senso al\u00e9m&nbsp;do comum. Existe conforto nos lugares de sempre, nos rostos frequentes, nos dias que se sucedem iguais, no fluir do tempo sem novidade. 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