{"id":825,"date":"2017-09-25T22:16:22","date_gmt":"2017-09-25T22:16:22","guid":{"rendered":"http:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/?p=825"},"modified":"2017-09-25T23:29:47","modified_gmt":"2017-09-25T23:29:47","slug":"825","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/2017\/09\/25\/825\/","title":{"rendered":"filme anotado [Ronda da Noite]"},"content":{"rendered":"<div class=\"page\" title=\"Page 2\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<div class=\"page\" title=\"Page 1\">\n<div class=\"section\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<figure id=\"attachment_827\" aria-describedby=\"caption-attachment-827\" style=\"width: 2298px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-827\" src=\"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Captura-de-ecr\u00e3-2017-09-25-\u00e0s-23.26.37.png\" alt=\"\" width=\"2298\" height=\"1265\" srcset=\"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Captura-de-ecr\u00e3-2017-09-25-\u00e0s-23.26.37.png 2298w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Captura-de-ecr\u00e3-2017-09-25-\u00e0s-23.26.37-300x165.png 300w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Captura-de-ecr\u00e3-2017-09-25-\u00e0s-23.26.37-768x423.png 768w, https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Captura-de-ecr\u00e3-2017-09-25-\u00e0s-23.26.37-1024x564.png 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 2298px) 100vw, 2298px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-827\" class=\"wp-caption-text\">Ronda da Noite, de Tiago Resende<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>A Ronda da Noite<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><em> Sinopse<\/em><br \/>\n<em>Um povo que se perde na noite e que renascer\u00e1 numa manh\u00e3 de nevoeiro, ainda com resqu\u00edcios de morte. Ser\u00e1 que desapareceu? Um fantasma ronda por um lugar, uma \u00e9poca que se dissipou n noite. De dia, o expoente de luz, cor e vida, \u00e9 habitado por artistas portugueses que criam um olhar cr\u00edtico deste Portugal. Aguarda-se com esperan\u00e7a um amanhecer redentor. A noite e o Dia anseiam por um tempo. O Portugal Futuro.<\/em><br \/>\n<em>Palavras-Chave: Mem\u00f3ria, Presente, Futuro, Arte<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 2\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<p>O Tiago, realizador da Ronda da Noite, lan\u00e7ou-me um desafio, necessitava de umas quantas palavras para acompanhar o enredo do seu filme. Escrita orientada, foi o exerc\u00edcio a que acedi com entusiasmo. Sucederam-se irrequietos momentos de cria\u00e7\u00e3o, encontrar a m\u00e9trica, encaixar a palavra nos recantos da f\u00e1brica, ajeitar a frase, para fluir entre a luz e a penumbra!<br \/>\nSegue-se a partilha das palavras anotadas, na margem do filme do Tiago!<br \/>\n(recomendo uma leitura acompanhada, pela visualiza\u00e7\u00e3o do filme).<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #808080;\">ESCURO [00:00 &#8211; 03:10]<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O vazio, insuport\u00e1vel heran\u00e7a,<br \/>\ntransborda de promessas abandonadas,<br \/>\nde tantos compromissos suspensos!<\/p>\n<p>ang\u00fastia, dor, tristeza<br \/>\nlonga a carta das emo\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>anseio,<br \/>\nprocuro-te em cada centelha<br \/>\nconfesso,<br \/>\narrepiam-me os teus novos ru\u00eddos<br \/>\nestranho,<br \/>\nencontro prazer nesses arrepios<br \/>\npreciosos e belos instantes<br \/>\nvertiginosas viagens no abismo do tempo<br \/>\nrecuo para te resgatar<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #808080;\">[inicia-se voz-off &#8211; 01:25]<\/span><\/strong><\/p>\n<p>esta \u00e9 a tua morada<br \/>\nmas n\u00e3o te encontro<br \/>\nFrancisco Gon\u00e7alves<br \/>\nonde te escondes? em que gaveta<br \/>\nte perdeste?<br \/>\nem que pilha de pap\u00e9is<br \/>\nte deixaste adormecer?<\/p>\n<p>parte de mim hesita, vacila<br \/>\nante a tr\u00e1gica impon\u00eancia do sepulcro<br \/>\nque tomou conta da tua fundi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>procuro-te, preciso de entender o que de ti foi real<br \/>\ntemo ter enlouquecido,<br \/>\na voracidade do tempo abala sem piedade as convic\u00e7\u00f5es<br \/>\nreceio que tenhas sido obra de um devaneio coletivo<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 3\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>atrevo-me,<br \/>\na chave que guardei ainda abre o teu cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nmagoado, abandonado<br \/>\ntrocado por promessas de gl\u00f3ria f\u00e1cil<\/p>\n<p>o sil\u00eancio escuro instalou-se<br \/>\na tua penumbra foi vilipendiada<br \/>\nest\u00e1 repleta de sombras fortuitas,<br \/>\ndesenhadas por uma luz fr\u00e1gil, vadia<br \/>\npasseia-se, sem defer\u00eancia, pelos vest\u00edgios de um tempo defunto<\/p>\n<p>os teus despojos abandonados,<br \/>\nsem honrarias ou cerim\u00f3nias<br \/>\ndesprezados, remetidos para o limbo,<br \/>\nenredados entre o esplendor e a poeira<\/p>\n<p>n\u00e3o me deixo intimidar<br \/>\nouso enfrentar o p\u00f3, confirmo,<br \/>\ncelebro a tua \/ minha exist\u00eancia<br \/>\nreconhe\u00e7o-me nas tuas formas<br \/>\npreencho as tuas marcas<br \/>\na luz, que guardas nas tuas entranhas<br \/>\najudar-me-\u00e1 a diluir a escurid\u00e3o que me baralha<\/p>\n<p>anseio encontrar uma raz\u00e3o<br \/>\nno meio da insuport\u00e1vel solid\u00e3o<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #808080;\">03:00<\/span><\/strong><br \/>\nprocuro-me(nos) em ti<br \/>\npreciso encontrar o que fui (fomos)<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 4\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<p><strong><span style=\"color: #808080;\">LUZ\u00a003:23 &#8211; 03:40 (vegeta\u00e7\u00e3o)<\/span><\/strong><\/p>\n<p>patine verde luz, oscila devagar, respira<br \/>\ntestemunha vi\u00e7osa da oxida\u00e7\u00e3o temporal<br \/>\nde passagem, entre a \u00faltima e a pr\u00f3xima viagem<br \/>\nprocuramos o sol<br \/>\nprocuramos a luz<br \/>\nabandonamos o mar<br \/>\nprocuramos achar forma f\u00e1cil de chegar<\/p>\n<p>pelo sonho fomos<br \/>\ninebriados pelas promessas<br \/>\ntontos e agitados caminhamos,<br \/>\nsem mapa, ignorando o destino<br \/>\nseguimos, orientados pela cren\u00e7a<br \/>\nconfiamos no sonho coletivo,<br \/>\naclamado, adorado<\/p>\n<p>milagrosa solu\u00e7\u00e3o<br \/>\napostamos tudo<br \/>\ndeixamos no prego a nossa<br \/>\nvontade, empenhamos at\u00e9 a identidade<br \/>\nem prol de ti Europa<br \/>\ndispostos a tudo,<br \/>\nrenovamos os votos de sil\u00eancio,<br \/>\nselamos as disc\u00f3rdias<\/p>\n<p>deslumbrados,<br \/>\nfizemo-nos \u00e0 estrada<br \/>\nera finalmente nossa a larga avenida,<br \/>\nprometida pelo consenso autorit\u00e1rio,<br \/>\nseguimos a alta velocidade<\/p>\n<p>num repente, r\u00e1pido, veloz de mais<br \/>\no aperto imp\u00f4s-se, tudo ficou curto, justo, apertado<br \/>\na larga avenida desembocou num miser\u00e1vel beco sem sa\u00edda<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 5\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>Europa, projecto falhado, mascarado de utopia<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>fizeste das nossas fraquezas a tua energia<br \/>\nabriste de novo as nossas envergonhadas feridas,<br \/>\nenganados, espoliados e de m\u00e3o ainda estendida<br \/>\narriscamos perceber o que resta de t\u00e3o ruinosa feitoria<\/p>\n<p>cicatrizes, inscri\u00e7\u00f5es arranhadas,<br \/>\ntatuagens emotivas,<br \/>\nn\u00e3o aceitamos cultivar de novo a<br \/>\nangustia de n\u00e3o termos sa\u00edda<\/p>\n<p>desta vez seguiremos equipados,<br \/>\ncom detalhe ou a arriscando a falta de precis\u00e3o,<br \/>\ncom criatividade e muita emotividade<br \/>\nencontraremos outro rumo, um renovado aroma para este tempo<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #808080;\">ESCURO\u00a005:16<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Arrisco adentrar a penumbra, uma e outra vez,<br \/>\n\u00e9 longa a viagem. com a fr\u00e1gil luz da lanterna desenho o caminho.<br \/>\nrodopio, tr\u00e9mulo e titubeante, procuro encontrar o passado<br \/>\nneste lugar amplo, despido e rejeitado<\/p>\n<p>circulo com precau\u00e7\u00e3o, para evitar perder-me no labirinto da saudade<br \/>\nreceio alucinar.<br \/>\naponto a luz, aplico o golpe, rende-te, aparece!<br \/>\nsei que est\u00e1s por a\u00ed! vou encontrar-te!<br \/>\nn\u00e3o h\u00e1 parede ou breu que inibam o meu destino.<\/p>\n<p>cuido de ti Francisco, amparo-te nesta solid\u00e3o<br \/>\nentre ilus\u00f5es e miragens, escuto a atualidade<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 6\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong>LUZ\u00a007:34<\/strong><\/span><\/p>\n<p>sentes? respira, \u00e9 o aroma do tempo novo<br \/>\nveio com a luz, est\u00e1 a instalar-se, dizem!<br \/>\noportunidade, neste lugar esventrado,<br \/>\nfaltam os vidros, ca\u00edram-se as janelas,<br \/>\n\u00e9 agora, entram os ventos, espantam-se as tempestades<br \/>\n\u00e9 agora, tempo do aroma renovado<\/p>\n<p>soltem-se as amarras, temos de partir,<br \/>\nagitar, bulir, sacudir a praga deste presente<br \/>\nque se viu consumido pela vontade de se eternizar<\/p>\n<p>sem canduras, revolvemos-te as entranhas,<br \/>\nn\u00e3o te deixaremos adormecer<br \/>\no fumo extenuado que libertas \u00e9 sinal da tua vitalidade,<br \/>\nsim, mutilaram-te o corpo, por\u00e9m deixaram-te intacta a sensibilidade<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #808080;\">ESCURO 09:35<\/span><\/strong><\/p>\n<p>s\u00f3 agora, entendi<br \/>\ncompreendi finalmente o que nos dizias<br \/>\no aviso esteve sempre l\u00e1, expressiva mensagem, afixada em s\u00edtio f\u00e1cil de visionar<br \/>\no ru\u00eddo, inquilino permanente da oficina, falou sempre mais alto, perturbou a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o se cumpriu a tua vontade,<br \/>\ndeixamos desprotegidas as viaturas, descuramos os objetos<br \/>\n\u00e0 ger\u00eancia nada foi entregue, pelo que n\u00e3o foi poss\u00edvel evitar a subtra\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>hoje, coleccionas abandonos,<br \/>\nacolhes brisas carregadas de destinos interrompidos,<br \/>\nas tuas paredes est\u00e3o repletas de lam\u00farias e desoladores unguentos<br \/>\noh Francisco! a quem confiaste a tua grandiosidade?<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 7\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><strong><span style=\"color: #808080;\">LUZ 11:33<\/span><\/strong><\/p>\n<p>aqui estamos,<br \/>\nsomos alguns<br \/>\noutros est\u00e3o a caminho<br \/>\nviemos e queremos ficar<br \/>\nprocuramos ajustar a forma,<br \/>\nencontrar um jeito de te recuperar<\/p>\n<p>de passagem<br \/>\nentrincheirados nas entranhas<br \/>\nresistimos<br \/>\npersistentes, determinados<br \/>\nde ferramentas criativas dotados<br \/>\narriscamos, \u00e9 tempo de ocupar<\/p>\n<p>enfrentar o vazio, resgatar as ins\u00edgnias,<br \/>\ndo coma induzido.<br \/>\nqueremos desenhar outros s\u00edmbolos,<br \/>\nrecuperar significado, brilho e sentido.<br \/>\nas estrelas douradas prometidas perderam o brio<br \/>\na constela\u00e7\u00e3o, a tal que luzia sobre um fundo azul veludo, implodiu!<br \/>\no que fazer com os destro\u00e7os?<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 8\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><strong><span style=\"color: #808080;\">Escuro 13:23<\/span><\/strong><\/p>\n<p>avan\u00e7o pelo corredor estreito,<br \/>\nrecordo as intermin\u00e1veis caminhadas,<br \/>\ncalcorreei vezes sem conta as tuas ruas e vielas<br \/>\nperscrutei os becos, afastei sem temor intrusos e tantos outros abusos.<br \/>\neis-me de volta, vigio de novo a tua noite!<br \/>\nvejo, nesta penumbra, o que n\u00e3o consegui enxergar com a luz forte do dia!<\/p>\n<p>n\u00e3o sei o que me fez baixar a guarda,<br \/>\nabandonar a ronda,<br \/>\ndesprotegido e entregue a um insond\u00e1vel destino<\/p>\n<p>fraquejei, agora<br \/>\nresta-me o castigo,<br \/>\noh, tr\u00e1gica puni\u00e7\u00e3o!<br \/>\ntestemunhar o teu decl\u00ednio,<br \/>\nvisitar a tua sepultura.<\/p>\n<p>n\u00e3o foi este o futuro que te desejei!<br \/>\nn\u00e3o foi para isto que t\u00e3o zelosamente te cuidei.<\/p>\n<p>espelho teu, existir\u00e1 algu\u00e9m mais decepcionado do que eu?<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong>Luz 15:10<\/strong><\/span><\/p>\n<p>nas paredes esventradas,<br \/>\nacumulam-se cicatrizes de feridas mal tratadas.<br \/>\nfios suspensos evocam liga\u00e7\u00f5es amputadas,<br \/>\ncoisas pequenas,<br \/>\ns\u00e3o tudo o que restou de um reino perdido.<\/p>\n<p>luz natural \u00e0 espreita,<br \/>\nfluxo de energia vital<br \/>\nluz clara e branca<br \/>\nderradeira oportunidade<br \/>\nurge agarrar o sonho,<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 9\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>salvar a coragem para desenhar o caminho<br \/>\nanda da\u00ed, vem comigo procurar outra raz\u00e3o<br \/>\ntraz a cola, as tintas e o l\u00e1pis afiado<br \/>\ntemos um laborioso futuro para esbo\u00e7ar<\/p>\n<p>deixa repousar as estrelas,<br \/>\nsobre o templo das mem\u00f3rias,<br \/>\nerguido sobre ferrugem, ferro, lat\u00e3o e a\u00e7o sumido<\/p>\n<p>nascem novos dias neste lugar de saudade,<br \/>\n\u00e9 preciso acordar do passado,<br \/>\ncom pregui\u00e7a, bem devagar a solid\u00e3o vai deixando o lugar<br \/>\nempurrada pela irrequietude da gente que veio para criar.<\/p>\n<p>a vida \u00e9 muito mais do que uma simples soma de desilus\u00f5es<br \/>\n\u00e9 desgosto sim, mas \u00e9 acima de tudo cria\u00e7\u00e3o<br \/>\nvida sofrida, sentida, animada pela intensidade da entrega<br \/>\nrevigorada pela for\u00e7a singular que se abre a outra revolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>corre uma nova seiva<br \/>\nflu\u00eddo viscoso, denso, arenoso,<br \/>\ncongela-se nele o tempo passado,<br \/>\ncom garra e genica<br \/>\ncriam-se outras camadas, tapam-se fendas e buracos<br \/>\nisolam-se as m\u00e1s vontades<br \/>\nrasgam-se documentos sem gl\u00f3ria<\/p>\n<p>na f\u00e1brica, vive-se de novo a az\u00e1fama<br \/>\nj\u00e1 n\u00e3o se recuperam carros, j\u00e1 n\u00e3o se fundem metais<br \/>\nprocura-se forma de ocupar o espa\u00e7o<br \/>\ncom o que ainda temos de humanidade<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 10\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>ESCURO 19:15 &#8211; 20:57<\/p>\n<p>perdido na noite deste lugar,<br \/>\nvagueio entre mem\u00f3rias e est\u00f3rias,<br \/>\nlongos epis\u00f3dios sombrios, escondem um pret\u00e9rito envergonhado,<br \/>\nnarrativas repletas de persegui\u00e7\u00f5es, inibi\u00e7\u00f5es e todo o g\u00e9nero de priva\u00e7\u00f5es.<br \/>\nfa\u00e7o um esfor\u00e7o imenso para dissecar esse tempo escuro<br \/>\nanseio resgatar a claridade,<br \/>\np\u00f4r termo \u00e0 noite que se instalou no meu dia.<\/p>\n<p>d\u00f3i-me a vida que aqui vivi,<br \/>\nrecordo, com angustia o que de mim deixei por aqui.<\/p>\n<p>neste recanto isolado, revestido de vidro martelado,<br \/>\nest\u00e3o arquivados os sons, as grafias e os retratos,<br \/>\ngravados pela sombra de um tempo conturbado.<br \/>\nouso accionar o c\u00f3digo, estabelecer por fim liga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u00e9 hora de confrontar a lembran\u00e7a!<br \/>\ndesejo voltar, para entender o porqu\u00ea, a esse passado!<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 11\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><strong><span style=\"color: #808080;\">LUZ \u00a026:10<\/span><\/strong><\/p>\n<p>\u00e9 tempo de existir sem medo,<br \/>\nafirmar a presen\u00e7a, inscrever na d\u00favida<br \/>\na vontade f\u00e9rrea de construir certezas.<br \/>\nj\u00e1 sacudimos o mofo, espantamos a poeira,<br \/>\ncolocamos no lixo fardos de h\u00e1bitos velhos.<\/p>\n<p>pano cru,<br \/>\ntela limpa,<br \/>\nlugar esclarecido,<br \/>\nfiel deposit\u00e1rio da esperan\u00e7a,<br \/>\nachada numa curva apertada do caminho.<\/p>\n<p>o engenho coletivo,<br \/>\nopera desembara\u00e7ado,<br \/>\nneste lugar (de)novo,<br \/>\nergue-se a estrutura,<br \/>\namplia-se a partilha.<br \/>\n\u00e9 dia de festa, aqui criamos o futuro.<br \/>\nexibimos com orgulho as provas,<br \/>\nfoi frutuosa a viagem \u00e0 terra da verdade,<br \/>\nvisitamos por a\u00ed v\u00e1rios sonhos de humanidade.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #808080;\">27:15<\/span><\/strong><\/p>\n<p>com rigor, prud\u00eancia e sensibilidade imensa,<br \/>\ncuidamos de encontrar uma forma sincera de revelar<br \/>\ndocumentos, provas, retratos falados e fotografias,<br \/>\nqueremos compartilhar, convidar outros a viajar.<\/p>\n<p>ocupamos este nobre espa\u00e7o com defer\u00eancia, mas sem rever\u00eancia.<br \/>\na f\u00e1brica, outrora lugar do orgulho que comovia a popula\u00e7\u00e3o,<br \/>\ndesperta com talento, de um sono demorado e escuro.<br \/>\nespa\u00e7o luminoso, albergue de novas vontades coletivas,<br \/>\nn\u00e3o sucumbiu \u00e0 passagem, arrisca continuar, ainda que por outra via,<br \/>\na projetar um rumo para chegar l\u00e1 chegar!<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 12\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>hoje, aqui na f\u00e1brica,<br \/>\noutrora morada de Francisco Gon\u00e7alves,<br \/>\n\u00e9 dia de celebrar a criatividade,<br \/>\nexp\u00f4r sem vergonha as fragilidades,<br \/>\nrefletir sobre os peda\u00e7os de luz,<br \/>\nque ousam habitar este lugar!<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #808080;\">ESCURO 29:23<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>procuramos o sol<br \/>\nencontramos apenas e de novo a penumbra<br \/>\naceitamos a caridade em troca da vitalidade<br \/>\nquer\u00edamos o estatuto que as tuas estrelas prometiam<br \/>\n\u00e9s mais uma palavra que termina em OPIA<br \/>\nmais uma tatuagem emotiva<br \/>\nmiragem perdida na paisagem<\/p>\n<p>solu\u00e7\u00e3o f\u00e1cil<br \/>\nreden\u00e7\u00e3o de todos os pecados<br \/>\npromessas caras, frustradas<br \/>\nestranha forma de converter o sonho em pecado<\/p>\n<p>pobres, andaram baralhadas, mal acompanhadas<br \/>\nmil vezes policopiadas<br \/>\nimpressas em papel de rascunho<br \/>\nperderam o brio, conviveram com os piores parceiros<\/p>\n<p>a\u00ed se enterram, a\u00ed se abandonaram em sorte e em destino.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 660px;\">Ant\u00f3nia Marques, 2016<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A Ronda da Noite (2017)\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fJyoJEA00A0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 13\"><\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 14\"><\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 21\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A Ronda da Noite Sinopse Um povo que se perde na noite e que renascer\u00e1 numa manh\u00e3 de nevoeiro, ainda com resqu\u00edcios de morte. Ser\u00e1 que desapareceu? Um fantasma ronda por um lugar, uma \u00e9poca que se dissipou n noite. De dia, o expoente de luz, cor e vida, \u00e9 habitado por artistas portugueses [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":829,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-825","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/825","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=825"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/825\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":836,"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/825\/revisions\/836"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/829"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=825"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=825"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniamarques.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=825"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}