espirro de pó

al deia

paisagem livre, ampla, esteticamente generosa
nua, em pele, carne e osso, deixa-se mirar
o encanto dói, entranha-se
demoro-me por aí
aguardo, anseio pelo calor tórrido
espero que venha capaz de derreter a borracha dos meus chinelos

ficar, perceber, inscrever, ler as estórias
fitar as memórias, revolver a terra, esfolar os dedos
levantar a poeira para devolver à terra um espirro de pó

paisagem permanente, permanece onde está
ergue-se e ocupa sem pedir licença
lugar de indisciplina, não cede à temperança
caminho mais um pouco, a borracha dos chinelos ainda se aguenta,
tento entender o que resta de tanta impermanência geográfica

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